Uma teimosia chamada Dália Negra

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Eu deveria ter ido com as lendas do amanhã para o Reino das Névoas.

Uma parada inesperada, porém, me fez desembarcar na Los Angeles do ano de 1947, onde acontece a história do que eu considero um dos melhores livros que eu já tive o prazer de ler: Black Dahlia, ou aqui no Brasil, Dália Negra, do americano James Ellroy. Caso ninguém esteja informado, ele é o autor de esses e outros romances, entre eles, Los Angeles – Cidade Proibida, adaptado para o cinema em 1997. Dália Negra ganhou sua adaptação em 2008, dirigida por Brian de Palma.

Sabe aquele livro que você resolve começar a ler com a intenção de tão apenas saber como iniciava? Bem, eu não tive como parar até o dia seguinte, embora eu tenha feito uma parada para dormir. O Prólogo te deixa com a curiosidade atiçada de uma maneira que não tem coisa que te faça largar a história.

Inúmeras coisas tornam esse livro excelente. Destacarei, no entanto, as que mais evidentes ficam.

Primeiro: a narrativa cruel e intensa de James Ellroy que não nos poupa nenhum detalhe do que está acontecendo. Inclusive esse livro tem cenas bem pesadas. Não apenas no sentindo cru da palavra, mas em termos de atitudes dos personagens. Tem horas que você quase arranca os cabelos de tão furioso.

Segundo: a inspiração do autor em um caso real. Elizabeth Short, jovem aspirante a atriz encontrada morta em um terreno baldio em 1947. Se querem saber mais, busquem no Google porque não tenho coragem de mostrar isso nessa postagem. (Estou falando sério. Vejam por sua conta e risco.) A trama foca-se na investigação do assassinato da jovem e na parceria cheia de altos e baixos dos protagonistas, os policiais Lee Blanchard e Dwight “Bucky” Bleichert. E em Kay, a namorada do primeiro, que desenvolve uma estreita e “colorida” amizade com o segundo.

Terceiro: as inacreditáveis viradas de trama que ocorrem durante o livro e não te deixam largá-lo até o final. E chegam a um desfecho que pode ser considerado um misto de doce e amargo. Embora no meu ponto de vista eu tenha achado bem feliz, pelo menos em certo ponto. Não vou entrar em detalhes porque é um spoiler e acho que a leitura vale muitíssimo a pena.

Quarto: Personagens absolutamente tridimensionais que ao mesmo tempo em que te fazem se importar com ele, também te fazem odiá-lo na mesma intensidade. À medida que você vai lendo, personagens que você amava ou odiava incondicionalmente começam a mudar seriamente a sua opinião sobre eles. E garanto: Ellroy sabe como poucos fazer viradas que nos deixam arrepiados até a raiz do cabelo. E causam sérias reflexões sobre como a sociedade era naquela época e como ela resolvia as coisas, além de mostrar o lado mais podre da humanidade, nesse livro se mostrando tão absurdamente desumana. A descrição da morte de Elizabeth Short é, além de uma cena pesada, extremamente repugnante. Você se pergunta de onde o assassino tira tanta coragem e sangue frio.

Por fim, embora Dália Negra seja um excelente livro, ele definitivamente não é para qualquer um. É cruel, forte, pesado, muitas vezes desumano, mas nos mostra, com uma projeção precisamente holográfica, uma realidade que existiu e deixou marcas muito profundas nos Estados Unidos de hoje.

Agora sim vou para o Reino das Névoas. Espero todos lá!

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