A teimosa polêmica da verdade oculta

Start your engine! E de repente, “polêmica” parece uma palavra muito pouco adequada para definir Getsêmani – A verdade oculta, do paranaense James Andrade.

Nesse livro, acompanhamos um prólogo bastante estranho que tive de reler pelo menos duas vezes para tentar tirar algo compreensível daquilo. Isso, no entanto, não significa que foi ruim. Eu adorei, só fiquei mesmo confusa, afinal, o que um livro com um título tão peculiar e um começo mais ainda poderia trazer de mais complicado?

É uma resposta difícil de dar sem um bilhão de spoilers na cara de quem pretende ler. Eu garanto, no entanto, uma coisa: se esse livro tivesse tido a metade da divulgação que teve O código Da Vinci, do Dan Brown, esse último teria sido pouco mais que um passeio no parque. Leia-se, Getsêmani deixa o célebre código na mais rasteira sola do chinelo. O Vaticano teria caído de paus, pedras e porretes em cima!

Motivo: James Andrade pega vários conhecidos nossos de uma célebre publicação cristã, e também seus apócrifos, e cria uma trama inacreditável por cima. Para terem só uma ideia, todos eles, de alguma maneira, tem ligação com o protagonista, que não sabe nada de si mesmo e tenta a todo o custo descobrir. Ele e suas “companheiras de viagem”, Ângela, a enfermeira que cuida dele no começo da história, já que ele estava no hospital e Yasmim, uma gênia desejando ser livre de qualquer obrigação com mestres, não estão imaginando a enorme encrenca onde estão se metendo ao querer respostas. Inclusive uma delas sofre um trágico destino durante a trama.

A cada capítulo, a tensão vai ficando cada vez mais alta e revelações no mínimo surpreendentes vão surgindo a cada página, não poupando o leitor de sustos fenomenais. E aos poucos revelam a verdade oculta do subtítulo. Claro que ninguém estava pronto para o que viria ser a resolução da trama do livro e muito menos o que seria feito para que tal coisa acontecesse. E o epílogo deixa a gente com aquela cara de: você só pode estar brincando! E é aí, e também em pelo menos metade do livro, que nós encontramos a real polêmica. Só pensem em quantos devem ter lido esse livro e pensado, eu inclusa: quanta coragem a desse cara! Meu grifo: Será que eu teria a mesma?

Considerando que estamos em um país onde pelo menos metade da população parece ter uma necessidade quase doentia de monitorar a vida dos outros e dar pitacos nas mesmas, eu realmente não sei de onde o escritor tirou essa valentia toda. No entanto, essa ousadia nos proporcionou um dos melhores livros da literatura fantástica (e geral) do Brasil. James Andrade soube como criar uma história envolvente com um quê de problemática e polêmica. E quem disse que ninguém gosta de uma “tretinha” básica? Nesse caso, porém, de básica a coisa não tem nada. É ladeira abaixo e além!

No fim das contas, Getsêmani – A verdade oculta é um verdadeiro achado da nossa literatura e que deve ser plenamente apreciado apenas por quem tiver uma mente bem aberta. E lembrar-se que isso é apenas ficção. Leia se for capaz de aguentar o tranco.

Até a próxima. Tenho que correr. Há uma linda menina xamã me esperando para juntas revertermos a polaridade.

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