O teimoso Casal 20 da literatura nacional

Allons-y! A dama teimosa está de volta com muito mais gás! E com fome de fazer resenhas.

Em abril desse ano, na IVª Odisseia de Literatura Fantástica, eu tive a oportunidade de rever uma amiga escritora absurdamente querida, a Ana Cristina Rodrigues e de quebra, conheci o marido, companheiro, amigo dela, o tão querido quanto Estevão Ribeiro. Ambos formando o casal mais lindamente impossível desse mundo! E como belezura pouca é bobagem, eles ainda são excelentes no que fazem: escrever.

E a resenha é justamente sobre coisas escritas por ambos: Anacrônicas, da Ana (*risadas infinitas) e Famintas, do Estevão.

Por onde eu começo? Contextualizando, é claro!

Anacrônicas é o segundo volume de contos da Ana, reunindo os mais variados contos da fantasia histórica e urbana que ela publicou em dezenas de locais diferentes desde os idos dos anos 2000. A linda de Niterói também escreve sci-fi, mas isso será assunto para quando ela reunir esse gênero em um livro único. (Ana, favor anotar isso.)

Famintas, uma HQ, a primeira de uma série vampiresca que tem tudo pra ser das melhores, era para ter sido publicada lá em 2002. Contudo, o pouco sucesso da então vigente novela O beijo do vampiro, do Antônio Calmon, impediu o quadrinho de sair do papel, pelo menos até 2014, quando finalmente veio a público.

Ambas são publicações da melhor qualidade. De tal forma que eu não sei por onde começar a falar.

Vou começar pelo Famintas, porque tem apenas 28 páginas, mas conteúdo para pelo menos uns cinco, pelo menos dez volumes. Isso se você somar mais vilões aos chamados “anjos de barro”, que são os desse quadrinho. E mais tramas, obviamente. Ok, lady, como assim “anjos de barro”? Well, a situação toda é que os vilões citados, que foram criados por um escultor aleijado, tem um plano para exterminar todos os vampiros do planeta. Que ao que parece tem uma cabeça por trás. Ao menos eu achei isso quando li.

E agora, quem poderá nos defender? O Chapolin…! Digo, o quinteto do bar burlesco Famintas (sim, é isso que vocês leram). Cristian, Teodora, Celeste, Abigail e Melinda. E mais um ex-seminarista muito encrencado chamado Antônio Salvador. Aí eu te pergunto: será que eles vão se unir em prol de uma causa? Será que se tornarão amigos? O que afinal aconteceu ao Salvador para estar atrás de vampiros? Se eu responder, darei MUITOS spoilers. Nesse caso, porém, posso adiantar uma coisa: esperem vampiros daqueles bem à moda antiga, com algumas pequenas alterações, já que estamos em 2015 e há mais acesso à tecnologia e isso os vampiros usam bastante bem.

No mais, um excelente começo de série longa, da qual eu espero ansiosamente pelo próximo volume!

Anacrônicas, por sua vez, é um caso que vai exigir bem mais, porque, como eu já disse, temos contos dos mais variados em 202 páginas de formato miniatura. Sendo precisa: 25 contos que vão de uma página até passar de dez. Não dizem que os melhores perfumes estão nos menores frascos? É o caso desse livro.

Como são muitos contos, vou resumir minhas impressões sobre eles a apenas poucas frases… (Porque senão essa resenha vai se alongar mais que a escada do Chapolin Colorado.)

O caminho para a terra das fadas: Uma linda e apaixonante história sobre uma mãe ajudando o filho a lidar com a perda.

Campeonato de beijar sapos: Uma trama aparentemente comum, mas com um desenvolvimento muito legal e um interessante final. Adorei demais. E ri mais ainda.

Deus embaralha, o Destino corta: O título diz muita coisa. E esse conto é daqueles muito bons e que te faz pensar muito. Dez.

Queda e Paz: Referência literária só “pros profissa”. (#risos) Um excelente conto.

A Casa do Escudo Azul: Uma interessante história onde a protagonista busca algo e só final descobrimos o que é. Só mesmo Ana para nos surpreender com algo assim. As melhores armas do mundo, pois…

A morte do Temerário: Uma história aventuresca narrada por um dos meus personagens favoritos desse livro. Esperem muito mais desse maravilhoso contador de histórias. Novamente excelente conto.

Lenda do Deserto: Uma linda história de amor que literalmente marcou-se para sempre. Não tenho mais a dizer, exceto: maravilhoso.

Mudanças: Atos e suas consequências, das quais nós nunca realmente sabemos. Eu sempre adoro histórias com essas dicotomias.

A Princesa de Toda a Dor: Outro título que diz muita coisa. Ana, por quê? Eu não ganho presente de aniversário pra você ferir meus sentimentos. #snif Amei esse conto.

A vila na areia: A lei do retorno é implacável, sempre. De novo, eu adoro histórias assim.

Como nos tornamos fogo: Outra linda história de amor, dessa vez forjada no mais ardente fogo.

A terra das ilusões perdidas: Um conto excelente cujo diálogo é composto de apenas uma parte falante. Será ele uma analogia das modernas relações humanas ou essa dama teimosa só devaneia?

Maria e a fada: O mesmo contador de histórias de A morte do temerário está de volta alguns anos antes, contando a história da fada Melusina. E ela não deixa de nos surpreender mesmo depois de terminada. Uma excelente história.

O Ladrão-de-Sonhos e Sono de beleza: Ok, lady, por que os dois juntos? Por que um continua o outro, ambos são excelentes e têm conteúdo para pelo menos um livro inteiro. (Ana, anote isso também.)

O eremita: Outro maravilhoso conto que fala um bocado mesmo tendo poucas páginas. Uma coisa: eu odeio gente ignorante. E nesse conto tem disso sobrando. E eu aqui detestando. Até quando, meu Deus?

Carta a monsenhor…: Eu não tenho palavras para definir isso que eu li. Adorei esse conto, mas isso não significa que não o tenha achado triste demais a ponto de mal conseguir falar dele sem chorar. De novo, linda Ana, eu não leio teus contos pra você ferir meus sentimentos.

O longo caminho de volta: Eu só tenho uma pergunta a fazer a quem for ler essa resenha: qual o preço a se pagar por querer mudanças? Poderia responder com incontáveis respostas, mas esse conto vai dizer tudo. E com certeza deveria ser utilizado em aulas de Ética e Cidadania para mostrar aos alunos que muitas decisões não costumam ser fáceis.

Vida na estante: Como eu gosto de criaturas com bom gosto literário. *Sorrisão.*

A menina de Val de Grifos: Quando uma corajosa menina decide cuidar de um grifo aparentemente imprestável, descobrimos que tal decisão pode ter consequências inesperadas. E eu costumo com frequência amar isso!

Os olhos de Joana: Nunca, jamais, se esqueça de terminar aquilo que você começou. Se bem que no caso do olheiro em questão, ele mereceria o destino ganho. Costumo adorar ver gente fiduma se ferrando.

O ensurdecedor silêncio dos deuses: Você já esteve em uma situação onde nenhuma resposta se fazia? Pois bem, cá neste conto temos exatamente essa situação. E uma pequena fagulha desencadeia uma enorme revolta. Quem e por quê? Leiam e irão descobrir. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Só que não.

“É tarde!”: Lewis Carroll teria imaginado que alguém chamada Ana iria perguntar “E se?”? Ela teve coragem, perguntou e respondeu. E eu gostei demais da resposta.

A dama de Shallot: Uma versão prosaica do famoso poema de Tennyson, The lady of Shallot. Tão bela e triste quanto. E a maldição no fim não era só dela. O mais terrível? Essa história ainda se repete.

Wow! Essa resenha foi longa, mas muito divertida de escrever! Espero eu que vocês a tenham apreciado. E de preferência, comprem e leiam s obras aqui comentadas. Vai valer a pena todos os reais investidos!

Até a próxima que preciso correr. É hora de me arriscar na névoa.