A teimosia literária de Doctor Who – Última resenha: Shada

Allons-y! Para afinal a última resenha do “Ciclo Doctor Who”. Ciclo? Sim, não chamarei mais de semana ou semanas porque muitas vezes pode acontecer de eu não conseguir escrever mais que uma resenha por semana. Motivos: posso ficar fora todo o dia por algum compromisso. Outras vezes, me preocupo em escrever meus contos e para eles eu preciso de inspiração tanto quanto para as resenhas. Quase sempre estou buscando emprego porque infelizmente não tenho o privilégio de estar empregada. Em algumas outras ocasiões assisto séries, ou estudo, ou leio.

Pois bem, por que deixei Shada por último? Porque achei, pelo menos até agora, o melhor dos livros inspirados na série Doctor Who. Antes, porém, de falar nele, vamos contextualizar…

Originalmente, Shada era para ser um arco de quatro episódios da era do Quarto Doutor, mas, por razões que eu não sei e possivelmente ninguém realmente saiba, ele nunca foi concluído. Sequer chegou a ser exibido embora tenha sido lançado em vídeo com adições verbais para compleição das partes faltantes. Detalhes adicionais neste link: http://doctorwhobrasil.com.br/2014/01/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-shada-o-roteiro-perdido-de-douglas-adams-para-doctor-who/ (Créditos à Thais Aux.)

Shada originalmente é da autoria de ninguém menos que Douglas Adams, que a maioria conhece pela série O Guia do Mochileiro das Galáxias e considerado um dos grandes escritores deste século. (E sim, dona Ruth Rocha, ficção científica e fantasia são literatura, sim. E eu amo e me orgulho MUITO disso!) E autor de pelo menos dois arcos da série clássica de Doctor Who: City of Death (como David Agnew) e The Pirate Planet. Infelizmente, porém, não foi ele quem escreveu o livro baseado no roteiro porque faleceu no ano de 2001.

O autor do livro inspirado nesse roteiro é Gareth Roberts, responsável pelos seguintes episódios da New Series: The Shakespeare Code, The Unicorn and the Wasp, Planet of the Dead, The Lodger e Closing Time. E responsável por transmitir o estilo único e bem humorado de Adams para o livro. Confesso não ter lido muito dele, mas o pouco que li me deixou fascinada.

E Gareth consegue isso de uma maneira fantástica. Um exemplo: Aos 5 anos, Skagra concluiu sem sombra de dúvidas que Deus não existia. A maioria das pessoas que chegam a tal constatação reage de uma das seguintes formas – com alívio ou desespero. Somente Skagra reagiu pensando: “Peraí. Isso significa que existe uma vaga disponível”.

Apenas observem esse comecinho de livro. É ou não é para seguir em frente e ver o que acontece? E sem sombra de dúvida, comprovar o tamanho da vilania desse moço.

Os aspectos mais importantes, porém, ele consegue com louvores absolutos: fazer com que o leitor não consiga largar o livro nem brincando e fazê-lo igualmente imaginar a voz, os trejeitos, os cacoetes, os sorrisos e o figurino de Tom Baker. Não se esquecendo de Romana II, a companheira da ocasião, pois também podemos imaginá-la muito certamente como ela era na série. É como você estar dentro de uma realidade virtual, vivendo bem de perto a excelente trama de Shada, que embora à primeira vista pareça previsível, já que todos nós sabemos que quase sempre o Doutor fica por cima, é surpreendente como poucas sabem ser atualmente.

Cada revelação, cada situação, diálogos temperados de humor e ironia como poucos autores conseguem fazer, personagens que poderiam muito bem estar na série de televisão, não olvidando de seus desenvolvimentos bem feitos no livro. E um vilão de tirar o fôlego de tão bem construído. E confesso, pelo menos na minha imaginação, o Skagra é um homem de parar o trânsito. (The Fresh Prince of Bel Air deu oi.) Culpa da descrição do autor para o personagem. E o ator que seria o vilão do arco definitivamente não fazia jus.

Também, a maneira como a história vai evoluindo, o jeito que as coisas vão acontecendo, o desenvolvimento e consequente evolução muito improváveis de uma personagem, isso levando em conta o que ela é, e as revelações lá perto do final… são de fazer cair o queixo. Especialmente o que é Shada. Coração a mil nessa hora!

É pura e simplesmente maravilhosa a forma como Gareth Roberts transmite o estilo de Douglas Adams e ao mesmo tempo o de Doctor Who em um único calhamaço de pelo menos 380 páginas. Impossível não gostar. Altamente recomendado para quem é fã de Doctor Who, Douglas Adams e excelente leitura de apurado gosto requinte.

Até a próxima. Tenho que correr. Meu noitário precisa ser atualizado. E Dr. Louison tem de ser encontrado. E as Anacrônicas, como as belas sereias, vem a nado.

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