A teimosia literária de Doctor Who – Resenha cinco: 12 Doutores, 12 Histórias – Parte 2: Transição e New Series

Allons-y! Para a quinta resenha das quatro semanas de Doctor Who no blog As teimosias de uma dama. Sim, as semanas eram originalmente três, mas ocorreram algumas coisas que atrasaram tudo. Uma delas foi a IVª Odisseia de Literatura Fantástica, na minha querida e amada Porto Alegre, nos dias 11, 12 e 13 de abril. (Pretendo postar algo sobre isso semana que vem.)

Agora vamos para a resenha. Primeiro, no entanto, vamos contextualizar…

Como eu disse anteriormente, a série Doctor Who foi cancelada em 1989, na época do Sylvester McCoy como Sétimo Doutor. A série ficou fora do ar por dezesseis anos embora em 1996 tenha havido uma tentativa de retorno, por intermédio de um filme estrelado pelo inglês Paul McGann, que oficialmente é considerado o Oitavo Doutor. Apesar do sucesso em terras inglesas, foi um fracasso em terras americanas, mas isso não impediu McGann de estrelar muitos audio dramas até 2013 (e provavelmente ele ainda continua fazendo), quando o curta The Night of the Doctor mostrou a regeneração do Oitavo para o War Doctor, que veio a ser interpretado por John Hurt. Hey, Lady Trotsky, que história é essa? Não são doze Doutores? Calma, gente, eu chego lá.

Em 2005, o produtor Russel T. Davies foi chamado para produzir a nova série televisiva de Doctor Who, embora a mesma já estivesse sendo cogitada desde 2003 embora inicialmente a BBC Worldwide estivesse procurando recursos para fazer um filme. Em 26/03/2005, o episódio Rose marcou a estreia da New Series. O ator fazendo o Doutor era Christopher Eccleston, que deu vida à Nona encarnação do Doutor. Se vocês leram com atenção até aqui, estão vendo que há um “problema” nessa parte. Esse detalhe só veio a ser explicado perto do final da era do Décimo-Primeiro. Outra coisa que contarei depois.

Por motivo de incerteza quanto ao retorno do público e da crítica à série, o contrato do ator do Nono Doutor durou apenas a primeira temporada. E desde então Christopher não mais voltou à série, nem mesmo chegou a participar do especial de cinquenta anos, em 2013. Confira neste link as razões para ter ocorrido tal coisa: http://doctorwhobrasil.com.br/2015/03/dwbr-no-ar-04-os-mitos-e-as-verdades-sobre-as-tretas-do-eccleston/ (Por Thais Aux e Freddy Pavão)

Com a saída do Nono Doutor, começamos a era do Décimo, que se tornou tão popular (na opinião de alguns, até mais que) quanto o Quarto, especialmente pela incrível atuação de David Tennant, segundo escocês no papel. (Que os Potterheads conhecem como Bartô Crouch Jr. de Harry Potter e o Cálice de Fogo.) A era do Décimo Doutor foi de 2006 a 2010, embora 2009 tenha sido um ano única e exclusivamente de especiais em razão dos compromissos de Tennant com a peça Hamlet.

O Décimo Doutor deu lugar ao Décimo Primeiro em 2011, agora na pele de Matt Smith, que desbancou Peter Davison como o mais jovem ator a interpretar o famoso timelord. Matt tinha na ocasião 26 anos enquanto Davison tinha 29. E não apenas a série trocou de ator, como também de produtor, quando Russell T. Davies deu lugar a Steven Moffat. (Entre os fãs conhecido como “Moff”, “Moffucked”, “Trollfat”, entre outros.) Uma era que até hoje causa muitas controvérsias devido às muitas pontas soltas causadas pelas aparições de River Song e outras inversões de trama que deixaram muitos fãs entre confusos e furiosos.

Em 2013, Matt Smith afinal “pendurou as chuteiras” do Doutor (quem conhece a biografia dele vai entender a piada), dando lugar ao terceiro escocês no papel: o descendente de italianos Peter Capaldi, ganhador de um Oscar em 1996 por um curta estrelado por Richard E. Grant, que dublou uma encarnação animada do Doutor em Scream of the Shalka. A oitava temporada, pelo menos até o momento, tem sido alvo de muitos comentários mistos dos fãs, especialmente por causa da personagem Clara Oswald, interpretada por Jenna Coleman.

Esclarecendo o que eu disse sobre o “War Doctor”: desde o ressurgimento da série, em 2005, o Doutor sempre foi referido como “o último dos senhores do tempo”. A razão: uma guerra chamada “The Time War” varreu o planeta natal do Doutor, Gallifrey, do mapa do universo. Até o perto do final da sétima temporada, ninguém tinha ideia sobre como o Doutor sozinho tinha feito tal façanha embora algumas dicas tenham sido dadas durante a série. É no último episódio dessa temporada que vamos saber a primeira parte do enigma: existe um “Doutor extra” que não é considerado como tal em razão de algo horrendo que ele fez.

O resto só viríamos a saber no curta The night of the Doctor e depois no especial de Cinquenta Anos chamado The time of the Doctor, em que nós vemos John Hurt sendo o “Doutor da Guerra”, encarnação que o Oitavo escolheu ter para poder lutar na guerra envolvendo o seu planeta. E que envelheceu várias décadas até o momento em que o vemos. E foi ele quem teria causado a morte definitiva do planeta. Teria? Sim, teria, já que no especial em questão eles conseguem, ou pelo menos assim se pensa, dar um jeito no que parecia irreparável, pois o Doutor havia prendido o momento da “Time War” em uma “tranca temporal”, com o intuito de impedir qualquer um de acessar tal coisa.

Com tudo isso devidamente contado para contextualizar a transição e a New Series de Doctor Who, vamos aos contos deles…

    Esporo (Spore), onde o Oitavo Doutor dá as caras no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, uma praga verdadeiramente devastadora acabou com uma pequena cidade daquele estado. O local, Fort Casey, outrora foi o lugar mais acolhedor depois da sua casa. Hoje, no entanto, o quadro é o mais trágico possível. E o nosso adorado timelord precisa correr contra o tempo para evitar que a criatura evolua até um ponto em que a coisa fique sem solução. Mais horrível e o que dá realmente medo: ninguém sabe se ele foi criado para ser um substituto para ecossistemas falidos ou uma arma. Imagine você não ter a mínima ideia do que pode ser isso e ter que lidar com? Isso é pra deixar um com “o cu na mão”. No fim, esse é mais um conto onde temos a resolução simples, ou nesse caso nem tanto, mas incrível. Excelente, sem mais.

A Besta da Babilônia (The Beast of Babylon) é o conto do Nono que definitivamente tem a cara dos episódios estrelados pelo Eccleston. Inclusive eu consegui imaginar o ator fazendo os trejeitos do personagem enquanto eu lia. E não apenas é possível “visualizar” o ator, como também nos sentimos lendo uma história de Lovecraft, já que o monstro vilão parece um bocado com as “aberrações lovecraftianas” que tanto ouvimos falar quando se trata desse autor. A história é ágil, te prende com facilidade e te faz querer que a Ali seja “materializada” na série, porque a personagem, apesar de alien, é alguém muito crível, que você poderia encontrar em qualquer lugar. Muito boa a trama.

O Mistério da Cabana Assombrada (The Mystery of the Haunted Cottage) é aonde o Décimo e Martha Jones vão parar em mundo que parece literalmente saído de um livro. E eles têm que descobrir como alguém poderia ter criado tal coisa e o motivo. E aí temos outra história muito ágil, movimentada e repleta de referências literárias para chegarmos a uma descoberta um bocado surpreendente, já que você nunca imaginaria o que foi dito ali. Outra grande história.

Hora Nenhuma (Nothing O’Clock), a história envolvendo o Décimo Primeiro, é de longe o mais assustador dos contos, em que tu não sabe o que esperar a cada página. Os Kin são altamente cruéis, o pior tipo possível, disputando seriamente com os Piratas de Almas do primeiro conto. Eles são, a grosso modo de ficção científica, os “invasores de corpos” do universo whovian, embora eles não invadam corpos de maneira literal. A maneira deles, entretanto, é tão sinistra quanto. Um excelente e muito recomendado conto, mas, não esqueça: se alguém mascarado te perguntar as horas, não responda. E corra!

Luzes Apagadas (Lights Out) é o conto do Décimo Segundo, narrado por um personagem misterioso do qual só ficamos sabendo a identidade depois de um bom número de páginas e alguns assassinatos ocorridos dentro de um café espacial. Não só a identidade do narrador é descoberta como também temos uma clara mostra personalidade um tanto sombria do mais recente Doutor. A trama de desenrola de tal forma que você se torna incapaz de escolher se fica ao lado do narrador ou não. A dubiedade da situação é que torna essa história tão interessante. E muito boa. Sendo de quem é, ser muito boa é até pouco para definir. O oceano no fim do caminho e Sandman dá uma ideia sobre quem estou falando? Se acertaram, boa. Se não, procurem. Fica a dica.

E aqui eu termino meus assuntos com os doze trabalhos do Doutor.

Até a próxima. Tenho que correr. Manchas sobre a mesa estão ganhando vida com a tristeza das pessoas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s