A teimosia literária de Doctor Who – Resenha dois: Quando cair o verão e outras histórias – O beijo do anjo (Angel’s Kiss)

Allons-y para mais uma semana de Doctor Who no blog As teimosias de uma dama. Antes, porém, duas considerações:

  • A segunda resenha do livro do título deveria ter saído logo após a primeira, no máximo domingo, mas, devido aos meus constantes escritos de contos e um problema enfrentado no fim de semana, cheguei muito cansada em casa e precisei dormir;
  • Comprei o mais novo lançamento literário de Doctor Who, Mortalha da Lamentação e vou lê-lo para acrescentá-lo às resenhas deste blog;
  • Peço desculpas a vocês pela demora em postar. Obrigada pela compreensão.

A resenha de hoje fala sobre a segunda história de Quando cair o verão e outras histórias, Angel’s Kiss, aqui traduzida como O beijo do anjo, cuja protagonista é River Song. Uma personagem que desperta incontáveis controvérsias entre os fãs de Doctor Who. Uns dizendo que ela é a melhor, a mais foda e por aí vai. Outros, que ela é mal construída e hipersexualizada, dado o envolvimento dela com o Doutor e o fato dela não esconder o que sente por ele. Em minha opinião muito sincera que possivelmente não vale muito para alguns outros, River é uma personagem um tanto trágica, dado o modo como ela aconteceu na série. E particularmente eu gosto muito dela em razão desse e de outros detalhes.

Vamos a esse ponto antes de ir para a história do “livro” propriamente dita. Primeiramente, a linha do tempo de River Song é contrária a do Doutor, leia-se, ela vive a história dela com ele de trás para frente e ele igualmente. Pois a primeira aparição da personagem vem a ser ainda na época do Décimo Doutor, interpretado por David Tennant, no episódio Silence on the library (Silêncio na Biblioteca), o 9º da 4ª temporada. E como todos os que já viram sabem, ela morre no episódio seguinte, Forest of the dead (Floresta dos Mortos), quando se sacrifica para salvá-lo.

Tecnicamente, essa seria a última interação dela com ele, mas ela vem a aparecer de novo nos episódios cinco e seis da temporada seguinte, quando o Doutor já era interpretado por Matt Smith. No caso ela já andava as voltas com o Doutor enquanto ele lembra de que, para todos os efeitos, ela morreu. Só que agora é ela que não o conhece tão bem assim. E as coisas vão e vem desse jeito até o episódio A Good Man Goes to War, o sétimo da sexta temporada. É nesse onde a história da River Song de fato começa, com ela sendo a filha roubada da Amy e do Rory que deveria se chamar Melody Pond. (Quem manjar bem de inglês vai entender o motivo do nome “River Song”. E não vou dar mais detalhes porque senão esse parágrafo vai ficar mais comprido que a escada do Chapolin Colorado.)

O único problema de detalhar toda a linha do tempo dela é porque eu não me lembro de todos os detalhes como eu gostaria, então, vou postar uma imagem para tentar resumir a situação de modo compreensível: (Esperando obter sucesso, é claro. E eu sei que os nomes de dois episódios aparecem duas vezes, mas a linha do tempo dela é complicada mesmo já que o final da quinta temporada é uma complicação só porque o Doutor basicamente dá um megareset no universo.)

Agora, Angel’s Kiss: Estamos em Nova York, ano de 1938. Melody Malone é uma detetive particular, dona e única funcionária da Agência de Detetives Anjo. A coisa já começa tensa porque um dos vilões mais tensos de Doctor Who são os Weeping Angels, chamados na tradução de “os anjos que choram” ou “anjos lamentadores”. Sua função: alimentar-se do tempo de vida que as pessoas teriam, enviando-as para o passado com um mero toque. Portanto, nunca pisque ao passar por uma estátua. Você pode estar morto em apenas um minuto após viver toda uma vida décadas antes mesmo nem tendo ideia de como isso aconteceu. Sim, isso aconteceu com Amy e Rory no episódio The Angels Take Manhattan, o que marcou a saída deles da série e inspirou essa história…

Que não apenas é muito boa e bem escrita, como também tem um appeal a mais por ser narrada pela protagonista, que acha que estava demorando para aparecer um problema. (Sim, ela sempre espera que o pior possa acontecer. E tem-se a impressão de que muitas vezes ela atrai o problema.) O dito vem na forma de um “cliente bonitão” chamado Rick Railton, que é, de modo básico, o Clark Gable antes do mesmo surgir em E o vento levou…. O rapaz tem a certeza de estar perto de ser assassinado e quer a detetive descobrindo quem está fazendo isso e por que. Logo de cara algo parece incrivelmente errado: a pessoa diz para Melody que sente que acabou de começar quando o ator em questão já tem dois anos de carreira, o que na época era considerado um feito e tanto. Os leitores ficam tentando entender a situação, possivelmente bolando algumas mil teorias baseadas no título da história. Eu pelo menos fiz isso e me diverti muito com.

Muito obviamente, pelo menos para mim, eu não estava pronta para descobrir a solução da trama. Isso após diálogos muito bem construídos, repletos de um sarcasmo e ironia muito típicos de River e obviamente, sua narração muito única, que faz os leitores rirem como ninguém. Especialmente no capítulo da festa, onde é possível visualizar a situação ocorrendo como certamente já aconteceu naquele tempo: um bando de gente grãfina tomando champanhe e conversando de todo o tipo de baboseira.

E quando você acha que tem monstros o suficiente na série, vem um humano para provar que consegue ser pior que todos eles se assim o desejar. É de dar muita raiva o modo como o vilão em questão planeja e executa o que vem fazendo há só Deus sabe quanto tempo. Para piorar, ele ainda tem como “aliado” um Weeping Angel, o grande responsável pela maior parte da encrenca. O humano malvado em questão apenas quer lucrar mais e mais com o cinema e seus astros mesmo que isso tenha de envolver matar muita gente inocente.

A descoberta e final da história dura pelo menos metade das páginas, mas é algo tão bem feito que até podemos ignorar o fato de que isso ocorre mais cedo do que se esperaria. No entanto, como é baseado na série DW, é algo perfeitamente plausível, já que todos os episódios da New Series são desse modo: a primeira metade são os fatos misteriosos e a segunda é descobrir e combater, com resultados variados. Isso quando um episódio não é a segunda parte do outro. Exemplo: Silence on the library e Forest of the dead. E se refletirmos com cuidado, River é basicamente o Doutor, só que sem a TARDIS e tendo um batom de efeitos devastadores mais um armamento natural capaz de abater um boi a três metros de distância. Tá bom desse jeito ou quer mais?

Altamente recomendo O beijo do anjo para quem gosta de histórias detetivescas com um toque que só mesmo a inspiração em Doctor Who poderia fazer.

Até a próxima. Tenho que correr. Porque sou Lady Trotsky, com gelo no coração e um beijo nos lábios. E na cidade portenha que nunca dorme e nunca deveria piscar, vampiros e mordidas são o meu negócio.

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