A teimosia literária de Doctor Who – Última resenha: Shada

Allons-y! Para afinal a última resenha do “Ciclo Doctor Who”. Ciclo? Sim, não chamarei mais de semana ou semanas porque muitas vezes pode acontecer de eu não conseguir escrever mais que uma resenha por semana. Motivos: posso ficar fora todo o dia por algum compromisso. Outras vezes, me preocupo em escrever meus contos e para eles eu preciso de inspiração tanto quanto para as resenhas. Quase sempre estou buscando emprego porque infelizmente não tenho o privilégio de estar empregada. Em algumas outras ocasiões assisto séries, ou estudo, ou leio.

Pois bem, por que deixei Shada por último? Porque achei, pelo menos até agora, o melhor dos livros inspirados na série Doctor Who. Antes, porém, de falar nele, vamos contextualizar…

Originalmente, Shada era para ser um arco de quatro episódios da era do Quarto Doutor, mas, por razões que eu não sei e possivelmente ninguém realmente saiba, ele nunca foi concluído. Sequer chegou a ser exibido embora tenha sido lançado em vídeo com adições verbais para compleição das partes faltantes. Detalhes adicionais neste link: http://doctorwhobrasil.com.br/2014/01/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-shada-o-roteiro-perdido-de-douglas-adams-para-doctor-who/ (Créditos à Thais Aux.)

Shada originalmente é da autoria de ninguém menos que Douglas Adams, que a maioria conhece pela série O Guia do Mochileiro das Galáxias e considerado um dos grandes escritores deste século. (E sim, dona Ruth Rocha, ficção científica e fantasia são literatura, sim. E eu amo e me orgulho MUITO disso!) E autor de pelo menos dois arcos da série clássica de Doctor Who: City of Death (como David Agnew) e The Pirate Planet. Infelizmente, porém, não foi ele quem escreveu o livro baseado no roteiro porque faleceu no ano de 2001.

O autor do livro inspirado nesse roteiro é Gareth Roberts, responsável pelos seguintes episódios da New Series: The Shakespeare Code, The Unicorn and the Wasp, Planet of the Dead, The Lodger e Closing Time. E responsável por transmitir o estilo único e bem humorado de Adams para o livro. Confesso não ter lido muito dele, mas o pouco que li me deixou fascinada.

E Gareth consegue isso de uma maneira fantástica. Um exemplo: Aos 5 anos, Skagra concluiu sem sombra de dúvidas que Deus não existia. A maioria das pessoas que chegam a tal constatação reage de uma das seguintes formas – com alívio ou desespero. Somente Skagra reagiu pensando: “Peraí. Isso significa que existe uma vaga disponível”.

Apenas observem esse comecinho de livro. É ou não é para seguir em frente e ver o que acontece? E sem sombra de dúvida, comprovar o tamanho da vilania desse moço.

Os aspectos mais importantes, porém, ele consegue com louvores absolutos: fazer com que o leitor não consiga largar o livro nem brincando e fazê-lo igualmente imaginar a voz, os trejeitos, os cacoetes, os sorrisos e o figurino de Tom Baker. Não se esquecendo de Romana II, a companheira da ocasião, pois também podemos imaginá-la muito certamente como ela era na série. É como você estar dentro de uma realidade virtual, vivendo bem de perto a excelente trama de Shada, que embora à primeira vista pareça previsível, já que todos nós sabemos que quase sempre o Doutor fica por cima, é surpreendente como poucas sabem ser atualmente.

Cada revelação, cada situação, diálogos temperados de humor e ironia como poucos autores conseguem fazer, personagens que poderiam muito bem estar na série de televisão, não olvidando de seus desenvolvimentos bem feitos no livro. E um vilão de tirar o fôlego de tão bem construído. E confesso, pelo menos na minha imaginação, o Skagra é um homem de parar o trânsito. (The Fresh Prince of Bel Air deu oi.) Culpa da descrição do autor para o personagem. E o ator que seria o vilão do arco definitivamente não fazia jus.

Também, a maneira como a história vai evoluindo, o jeito que as coisas vão acontecendo, o desenvolvimento e consequente evolução muito improváveis de uma personagem, isso levando em conta o que ela é, e as revelações lá perto do final… são de fazer cair o queixo. Especialmente o que é Shada. Coração a mil nessa hora!

É pura e simplesmente maravilhosa a forma como Gareth Roberts transmite o estilo de Douglas Adams e ao mesmo tempo o de Doctor Who em um único calhamaço de pelo menos 380 páginas. Impossível não gostar. Altamente recomendado para quem é fã de Doctor Who, Douglas Adams e excelente leitura de apurado gosto requinte.

Até a próxima. Tenho que correr. Meu noitário precisa ser atualizado. E Dr. Louison tem de ser encontrado. E as Anacrônicas, como as belas sereias, vem a nado.

A teimosia literária de Doctor Who – Resenha seis: Mortalha da Lamentação ( Shroud of Sorrow)

Primeiramente, perdão por não ter aparecido no domingo que passou. Muitas ideias querendo passagem para meus contos.

Segundo, essa definitivamente será a última semana de Doctor Who no blog As teimosias de uma dama. Contando as três resenhas de Quando cair o verão, as duas de 12 Doutores, 12 Histórias, a atual, Mortalha da Lamentação e a próxima, Shada, serão sete escritas nessas cinco semanas. Eu sei que não é a maneira ideal de causar boa impressão para um blog, mas não é sempre que consigo escrever resenhas. A inspiração tem que ser tão boa quanto nos contos.

Por último e mais importante: allons-y! Para o livro…

Tommy Donbavand decididamente criou o que eu considero um dos vilões mais emblemáticos de Doctor Who dos últimos tempos: As Mortalhas. Certo, por que dizer isso antes de qualquer coisa? Leitores, pensem nisso: imagine um rosto se formando em algum lugar “maleável” e falando diretamente com você dentro da sua mente. E extraindo as piores partes possíveis da sua existência com a intenção de te devorar até a última consequência. Imagine que a coisa pode evoluir a ponto de parecer quase humana. Apenas tente visualizar a imagem formada. Assustador? Pois sim, é MUITO.

O Doutor, nesse caso, conta com a ajuda de Clara, sua companion atual, Mae, uma jornalista que perdeu a avó recentemente e por pouco não foi vítima das mortalhas e Warren Skeet, um agente do FBI que reluta aquele tantinho em ajudar, mas que no fim acaba sendo um colaborador dos mais preciosos. E um pouco com a colaboração de um militar que tem de tirar o chefe mala do caminho. Juntem esses quatro no dia seguinte ao assassinato do presidente John Kennedy e somem com um planeta triste e chocado por um crime tão brutal. A equação não podia ter um resultado mais horrendo: As Mortalhas atacam com força total!

O autor consegue a façanha, de com uma premissa relativamente simples, criar uma enredada e sinistra trama que na TV poderia render um arco daqueles bombásticos. Imagine ter que passar vários capítulos sem ter ideia do que você está enfrentando? Só para piorar, imagine-se no lugar do Doutor, que tem de enfrentar um luto imensamente grande por tudo o que perdeu e ele ainda vai perder. Contagem regressiva para pirar? Pois ela seria bem possível se o timelord mais famoso da Terra não tivesse uma enorme força interior para achar um jeito de enfrentar tais coisas. Confesso que esse livro me deixou admirada nesse ponto. Deus sabe como ele teve de enfrentar tanta coisa e ainda conseguir ficar em pé para continuar amando nosso malcuidado, e muitas vezes mal habitado, planeta.

Donbavand, outrora Palhaço Bundamole (parece piada, mas não é, ele foi mesmo palhaço), consegue reproduzir um bocado a atmosfera da série e mais que isso, surpreende a gente criando consequências para o ataque das criaturas malditas. (Eu pelo menos não tinha isso em mente enquanto lia.) Consequências essas que eu duvido que algum de nós iria querer ver. Se lendo eu já me senti doida de medo, imagina vendo isso em pessoa? Considerando o que vemos hoje em termos de situação, nosso planeta viraria uma terra de ninguém digna de filme pós-apocalíptico multiplicado por cem.

E o desfecho, ah o desfecho. Após uma série de bonitos momentos com palhaços tentando reconstruir seu mundo e tentando ajudar o nosso (um deles com o Warren), fazemos aquela cara de: isso é mesmo sério? Não é no mau sentido, mas… Bem, aqui eu já estou querendo dar spoiler.

Afinal de contas, Lady, você recomendaria esse livro? Para quem é fã de Doctor Who e gosta de uns vilões muito legais, sim.

Até a próxima. Tenho de correr. Há uma palavra que preciso desvendar: Shada.

A teimosia literária de Doctor Who – Resenha cinco: 12 Doutores, 12 Histórias – Parte 2: Transição e New Series

Allons-y! Para a quinta resenha das quatro semanas de Doctor Who no blog As teimosias de uma dama. Sim, as semanas eram originalmente três, mas ocorreram algumas coisas que atrasaram tudo. Uma delas foi a IVª Odisseia de Literatura Fantástica, na minha querida e amada Porto Alegre, nos dias 11, 12 e 13 de abril. (Pretendo postar algo sobre isso semana que vem.)

Agora vamos para a resenha. Primeiro, no entanto, vamos contextualizar…

Como eu disse anteriormente, a série Doctor Who foi cancelada em 1989, na época do Sylvester McCoy como Sétimo Doutor. A série ficou fora do ar por dezesseis anos embora em 1996 tenha havido uma tentativa de retorno, por intermédio de um filme estrelado pelo inglês Paul McGann, que oficialmente é considerado o Oitavo Doutor. Apesar do sucesso em terras inglesas, foi um fracasso em terras americanas, mas isso não impediu McGann de estrelar muitos audio dramas até 2013 (e provavelmente ele ainda continua fazendo), quando o curta The Night of the Doctor mostrou a regeneração do Oitavo para o War Doctor, que veio a ser interpretado por John Hurt. Hey, Lady Trotsky, que história é essa? Não são doze Doutores? Calma, gente, eu chego lá.

Em 2005, o produtor Russel T. Davies foi chamado para produzir a nova série televisiva de Doctor Who, embora a mesma já estivesse sendo cogitada desde 2003 embora inicialmente a BBC Worldwide estivesse procurando recursos para fazer um filme. Em 26/03/2005, o episódio Rose marcou a estreia da New Series. O ator fazendo o Doutor era Christopher Eccleston, que deu vida à Nona encarnação do Doutor. Se vocês leram com atenção até aqui, estão vendo que há um “problema” nessa parte. Esse detalhe só veio a ser explicado perto do final da era do Décimo-Primeiro. Outra coisa que contarei depois.

Por motivo de incerteza quanto ao retorno do público e da crítica à série, o contrato do ator do Nono Doutor durou apenas a primeira temporada. E desde então Christopher não mais voltou à série, nem mesmo chegou a participar do especial de cinquenta anos, em 2013. Confira neste link as razões para ter ocorrido tal coisa: http://doctorwhobrasil.com.br/2015/03/dwbr-no-ar-04-os-mitos-e-as-verdades-sobre-as-tretas-do-eccleston/ (Por Thais Aux e Freddy Pavão)

Com a saída do Nono Doutor, começamos a era do Décimo, que se tornou tão popular (na opinião de alguns, até mais que) quanto o Quarto, especialmente pela incrível atuação de David Tennant, segundo escocês no papel. (Que os Potterheads conhecem como Bartô Crouch Jr. de Harry Potter e o Cálice de Fogo.) A era do Décimo Doutor foi de 2006 a 2010, embora 2009 tenha sido um ano única e exclusivamente de especiais em razão dos compromissos de Tennant com a peça Hamlet.

O Décimo Doutor deu lugar ao Décimo Primeiro em 2011, agora na pele de Matt Smith, que desbancou Peter Davison como o mais jovem ator a interpretar o famoso timelord. Matt tinha na ocasião 26 anos enquanto Davison tinha 29. E não apenas a série trocou de ator, como também de produtor, quando Russell T. Davies deu lugar a Steven Moffat. (Entre os fãs conhecido como “Moff”, “Moffucked”, “Trollfat”, entre outros.) Uma era que até hoje causa muitas controvérsias devido às muitas pontas soltas causadas pelas aparições de River Song e outras inversões de trama que deixaram muitos fãs entre confusos e furiosos.

Em 2013, Matt Smith afinal “pendurou as chuteiras” do Doutor (quem conhece a biografia dele vai entender a piada), dando lugar ao terceiro escocês no papel: o descendente de italianos Peter Capaldi, ganhador de um Oscar em 1996 por um curta estrelado por Richard E. Grant, que dublou uma encarnação animada do Doutor em Scream of the Shalka. A oitava temporada, pelo menos até o momento, tem sido alvo de muitos comentários mistos dos fãs, especialmente por causa da personagem Clara Oswald, interpretada por Jenna Coleman.

Esclarecendo o que eu disse sobre o “War Doctor”: desde o ressurgimento da série, em 2005, o Doutor sempre foi referido como “o último dos senhores do tempo”. A razão: uma guerra chamada “The Time War” varreu o planeta natal do Doutor, Gallifrey, do mapa do universo. Até o perto do final da sétima temporada, ninguém tinha ideia sobre como o Doutor sozinho tinha feito tal façanha embora algumas dicas tenham sido dadas durante a série. É no último episódio dessa temporada que vamos saber a primeira parte do enigma: existe um “Doutor extra” que não é considerado como tal em razão de algo horrendo que ele fez.

O resto só viríamos a saber no curta The night of the Doctor e depois no especial de Cinquenta Anos chamado The time of the Doctor, em que nós vemos John Hurt sendo o “Doutor da Guerra”, encarnação que o Oitavo escolheu ter para poder lutar na guerra envolvendo o seu planeta. E que envelheceu várias décadas até o momento em que o vemos. E foi ele quem teria causado a morte definitiva do planeta. Teria? Sim, teria, já que no especial em questão eles conseguem, ou pelo menos assim se pensa, dar um jeito no que parecia irreparável, pois o Doutor havia prendido o momento da “Time War” em uma “tranca temporal”, com o intuito de impedir qualquer um de acessar tal coisa.

Com tudo isso devidamente contado para contextualizar a transição e a New Series de Doctor Who, vamos aos contos deles…

    Esporo (Spore), onde o Oitavo Doutor dá as caras no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, uma praga verdadeiramente devastadora acabou com uma pequena cidade daquele estado. O local, Fort Casey, outrora foi o lugar mais acolhedor depois da sua casa. Hoje, no entanto, o quadro é o mais trágico possível. E o nosso adorado timelord precisa correr contra o tempo para evitar que a criatura evolua até um ponto em que a coisa fique sem solução. Mais horrível e o que dá realmente medo: ninguém sabe se ele foi criado para ser um substituto para ecossistemas falidos ou uma arma. Imagine você não ter a mínima ideia do que pode ser isso e ter que lidar com? Isso é pra deixar um com “o cu na mão”. No fim, esse é mais um conto onde temos a resolução simples, ou nesse caso nem tanto, mas incrível. Excelente, sem mais.

A Besta da Babilônia (The Beast of Babylon) é o conto do Nono que definitivamente tem a cara dos episódios estrelados pelo Eccleston. Inclusive eu consegui imaginar o ator fazendo os trejeitos do personagem enquanto eu lia. E não apenas é possível “visualizar” o ator, como também nos sentimos lendo uma história de Lovecraft, já que o monstro vilão parece um bocado com as “aberrações lovecraftianas” que tanto ouvimos falar quando se trata desse autor. A história é ágil, te prende com facilidade e te faz querer que a Ali seja “materializada” na série, porque a personagem, apesar de alien, é alguém muito crível, que você poderia encontrar em qualquer lugar. Muito boa a trama.

O Mistério da Cabana Assombrada (The Mystery of the Haunted Cottage) é aonde o Décimo e Martha Jones vão parar em mundo que parece literalmente saído de um livro. E eles têm que descobrir como alguém poderia ter criado tal coisa e o motivo. E aí temos outra história muito ágil, movimentada e repleta de referências literárias para chegarmos a uma descoberta um bocado surpreendente, já que você nunca imaginaria o que foi dito ali. Outra grande história.

Hora Nenhuma (Nothing O’Clock), a história envolvendo o Décimo Primeiro, é de longe o mais assustador dos contos, em que tu não sabe o que esperar a cada página. Os Kin são altamente cruéis, o pior tipo possível, disputando seriamente com os Piratas de Almas do primeiro conto. Eles são, a grosso modo de ficção científica, os “invasores de corpos” do universo whovian, embora eles não invadam corpos de maneira literal. A maneira deles, entretanto, é tão sinistra quanto. Um excelente e muito recomendado conto, mas, não esqueça: se alguém mascarado te perguntar as horas, não responda. E corra!

Luzes Apagadas (Lights Out) é o conto do Décimo Segundo, narrado por um personagem misterioso do qual só ficamos sabendo a identidade depois de um bom número de páginas e alguns assassinatos ocorridos dentro de um café espacial. Não só a identidade do narrador é descoberta como também temos uma clara mostra personalidade um tanto sombria do mais recente Doutor. A trama de desenrola de tal forma que você se torna incapaz de escolher se fica ao lado do narrador ou não. A dubiedade da situação é que torna essa história tão interessante. E muito boa. Sendo de quem é, ser muito boa é até pouco para definir. O oceano no fim do caminho e Sandman dá uma ideia sobre quem estou falando? Se acertaram, boa. Se não, procurem. Fica a dica.

E aqui eu termino meus assuntos com os doze trabalhos do Doutor.

Até a próxima. Tenho que correr. Manchas sobre a mesa estão ganhando vida com a tristeza das pessoas.

A teimosia literária de Doctor Who – Resenha quatro: 12 Doutores, 12 Histórias – Parte 1: Os Doutores Clássicos

Allons-y! Para a quarta resenha, a segunda da terceira semana de Doctor Who, agora abordando o livro 12 Doutores, 12 Histórias, uma coletânea de contos, inicialmente separada, feita em 2013 para celebrar os cinquenta anos da série. Em 2014, todos os contos foram reunidos em livro único, tendo sido o último produzido em no ano em questão, por ocasião da introdução do 12º Doutor, interpretado por Peter Capaldi.

Primeiramente, porém, vou fazer algo de contextualização, em razão de que alguns que lerão esta resenha não conhecem a Série Clássica…

1º Doutor: William Hartnell (1963 – 1966). Um tipo “vovô rabugento reclamão”. Não gostava muito dos terráqueos, pelo menos no começo, e às vezes tinha alguns problemas um pouco mais tensos com seus companheiros. Com o passar do tempo, ficou mais “maleável”. O ator citado viu-se obrigado a abandonar a série quase três anos depois da estreia em razão de arterioesclerose, doença que seria a causa de seu falecimento, em 1975.

2º Doutor: Patrick Troughton (1966 – 1970). O total oposto do primeiro Doutor. Altamente alegre, engraçado e adorável embora fosse capaz das maquinações mais maquiavélicas quando se tratava de combater os vilões. O ator da segunda encarnação deixou a série em razão de não querer ficar marcado pelo papel, fato que acabou se tornando uma “trope” (do site “TV Tropes”): a Regra de Troughton.

3º Doutor: Jon Pertwee (1970 – 1974). Um homem de ação, muitas vezes partindo para a luta física quando tal coisa se torna necessária. Ficou exilado na Terra a maior parte desta encarnação. O intérprete deixou a série no final de 1973, não apenas porque achou que estava há tempo demais no papel como também estava muito abalado pela perda do amigo de longa data, o primeiro Mestre, Roger Delgado (1913 – 1971), falecido em decorrência de um acidente automobilístico na Turquia.

4º Doutor: Tom Baker (1974 – 1981). Para a maior parte dos fãs, o Doutor por excelência, sendo o mais popular do fandom conhecedor da série clássica. Uma figura excêntrica dentro de sua própria raça e nenhuma característica “humana” em si (By Universo Who). Tom deixou a série em 1981 após vários desentendimentos com a produção e muito possivelmente por seus problemas com o alcoolismo.

5º Doutor: Peter Davison (1981 – 1984). O mais jovem até então dos intérpretes e para muitas (me included), o mais bonito. Uma encarnação muito humana e vulnerável, sendo extremamente contra violência desnecessária. Davison deixou a série em 1984 pela mesma razão de Troughton: não desejava ficar marcado pelo papel.

6º Doutor: Colin Baker (1984 – 1986). (Sem parentesco com o ator do Quarto Doutor.) O total oposto da encarnação anterior, era teimoso, arrogante, dramático e dono de um ego bem grande, acreditando ser superior a todos que encontrava. Muitas vezes tornava-se capaz de matar em razão de ser bem mais violento que os outros. Colin foi demitido da série em razão de desentendimentos com os produtores, sendo um deles o que viria a determinar o cancelamento da série em 1989.

7º Doutor: Sylvester McCoy (1986 – 1989). A sétima encarnação era mais excêntrica, alegre e despreocupada inicialmente, mas assumiu uma postura mais séria e austera com o tempo. Sua capacidade de estratagemas e de manipular tudo ao seu redor veio desde o início. O primeiro ator escocês a fazer o papel, acabou deixando-o devido ao cancelamento da série, em 1989. Quem assistiu a trilogia “O Hobbit”, o viu como Radagast, o Marrom.

Agora, vamos aos sete primeiros contos… (Os outros vêm na segunda resenha deste livro, em que eu abordo o Oitavo Doutor em diante.)

O primeiro, traduzido como Uma mãozinha para o Doutor (no original, A Big Hand for the Doctor), tem uma primeira parte muito engraçada e tensa ao mesmo tempo, quando o primeiro Doutor está tendo que encomendar uma nova mão porque a perdeu para um Pirata de Almas. Quem são eles? Decididamente, vilões que podem ser facilmente classificados como bastardos filhos de uma mãe diabólica. Pessoal, não tenho coragem de dizer o que essa gente faz, mas posso dizer que esse primeiro conto torna a Susan uma personagem bastante útil, se compararmos com a série clássica, onde ela gritava mais que uma sirene de bombeiros. E obviamente, é uma excelente história onde o primeiro Doutor mostra porque é tão popular com muitos fãs atuais que o consideram seu favorito.

A cidade sem nome (The Nameless City), conta sobre como o Doutor, na sua segunda encarnação junto de seu companheiro Jamie McCrimmon, acaba envolvido em uma senhora encrenca quando o companion, após salvar um senhor de uma agressão de bandidos, acaba recebendo um presente. (Nunca aceitem coisas de estranhos se elas estiverem enroladas em lenços de seda negra.) Entretanto, ele revela-se uma emboscada para levar a TARDIS a algum lugar no fim do universo, onde eles encontram os sinistros Archons. A partir daí, amigos, é uma sequência de grandes emoções e muita aventura cuja resolução é simples e ao mesmo tempo genial, coisa bem típica desse danado desse Segundo Doutor. Um conto que eu adorei demais.

A lança do destino (The Spear of Destiny), a história do Terceiro, acompanhado de Jo Grant, se encrencando com os vikings. Sim, com eles e ninguém menos do que o próprio Odin, aqui retratado com um líder tribal e mortal. E como era “marca registrada” das melhores histórias estreladas por Pertwee, o Mestre se manifesta do modo mais inusitado. E o autor pegou tão bem a essência do Third Doctor que é como se estivéssemos assistindo um episódio das temporadas clássicas estreladas pelo Pertwee. Simplesmente maravilhoso.

As raízes do mal (The Roots of Evil), onde o Quarto dá as caras novecentos anos depois do Décimo-Primeiro… Opa, espera aí, Dama Teimosa, como assim? Ok, eu não devia ter contado isso, mas tecnicamente não considero um spoiler, já que, como estamos falando de Doctor Who, qualquer dos Doutores pode aparecer quando menos se espera, inclusive rolando uns encontros acidentais em pelo menos quatro ocasiões desde o surgimento da série. (Isso eu conto na resenha seguinte.) No caso em questão, o quarto acaba indo, junto de sua companheira selvagem Leela, parar na Estrutura Heligan, uma espécie de árvore gigante flutuante cujo interior abriga vários moradores em nível de planetoide. E acabam belissimamente metidos em uma enrascada enorme quando os moradores querem literalmente fazer picadinho deles. E por que? Leiam. E apreciem porque é difícil não gostar. Vocês não vão se arrepender. Especialmente porque outra vez tem-se a solução simples, porém, genial. Tom Baker é definitivamente o cara.

Na ponta de língua (Tip of the tongue), a história estrelada pelo quinto, é uma senhoríssima lição, à semelhança do segundo conto, de que não devemos aceitar qualquer coisa, seja ela presenteada ou oferecida em compra. É de dar raiva como os vilões manipulam tudo para conseguir o que querem. E para tentar resumir, estamos no período da Segunda Guerra, no Sul dos Estados Unidos. Uma menina negra e um garoto judeu alemão. Vocês imaginam o que está havendo, não é? Pois os vilões se aproveitam exatamente do que vocês estão imaginando e por pouco não criam um circo de horrores. Uma história excelente que deveria ser utilizada em aulas de História para uma boa demonstração sobre como funcionam os discursos de ódio.

Algo Emprestado (Something Borrowed) envolve o Sexto Doutor e Peri em um planeta cuja inspiração foi a cidade terráquea de Las Vegas. O que poderia dar errado em uma viagem que se apresenta como o maior barato? Qualquer coisa quando temos pterodáctilos sequestrando gente e o planeta em questão possui um sistema muito parecido com o que acontece quando o Doutor regenera. Temos um vilão da série clássica dando as caras. De uma maneira muito interessante que particularmente achei uma maravilha, especialmente os motivos. Só rindo para não chorar mesmo. E claro, o amor da Wira pelo filho do patrão faz uma grande diferença lá no final, mostrando que algumas coisas só funcionam mesmo quando colocamos todo o nosso amor e empenho nelas. Excelente história.

O efeito de propagação (The Ripple Effect), estrelando o Sétimo, é de longe o mais triste dos contos envolvendo os Doutores Clássicos. Ele e sua companheira Ace, a garota (literalmente) explosiva, estão tentando sair de um “Plexo Temporal” e numa tentativa que aparentemente deu certo, eles vão parar… em um mundo onde os daleks são as criaturas mais incrivelmente pacíficas do mundo. É fantástica a discussão entre o Doutor e a Ace sobre se é mesmo possível aquelas criaturas terem “jeito”. No fim das contas, acreditar é sempre o primeiro passo. Uma história linda, algo triste e um tantinho esperançosa.

E por aqui eu encerro a primeira parte de 12 Doutores, 12 Histórias.

Até a próxima, tenho que correr. Esporos, bestas alienígenas, cabanas assombradas, relógios sem hora e luzes apagadas me esperam.

A teimosia literária de Doctor Who – Resenha três: Quando cair o verão e outras histórias – Parte 3: Quando cair o verão (Summer Falls)

Allons-y, pessoal! Para a última resenha do livro Quando cair o verão e outras histórias, agora com a trama que originou o título, em inglês Summer Falls, aqui traduzida como Quando cair o verão.

A história em questão foi inspirada no sexto episódio da sétima temporada da New Series chamado The bells of Saint John (Os sinos de Saint John), o primeiro em que a personagem Clara Oswald oficialmente se torna companheira do Doutor, na ocasião interpretado por Matt Smith, o 11º Doutor.. O episódio conta sobre uma série de misteriosos comas causados por um sinal de wi-fi, cuja causa é desconhecida e envolve uma empresa recém-surgida. Obviamente, a danada tem muita culpa no cartório e por trás dela, há um dos grandes vilões da série: a Grande Inteligência, um ser incorpóreo que sonha ter um corpo próprio, mas sempre foi impedido pelo Doutor porque boas intenções não possui.

Depois de resumir esse episódio, vamos à Quando cair o verão, que tem um bocado de semelhança com o episódio citado…

Começamos a trama com a pequena e adorável Kate ajudando a mãe a arrumar a casa após se mudar para Watchcombe, uma vila litorânea. A descuidada mamãe da menina, no entanto, quer que a filha vá brincar e se distrair, afinal, é a última semana de férias. Quem nunca passou por aquele dilema de estar puto da cara com isso e ao mesmo tempo estar doido para voltar a encontrar colegas e professores de quem se gosta? O caso da menina, no entanto, é que ela não tem uma escola para onde voltar, pois ela é moradora nova e ainda tem que se acostumar com o local. É aí que Kate, já fora de casa e tendo de decidir como vai passar aquele dia, acaba topando com um gato cinza. Como ela sonha em ter um gatinho muito fofo (Felicia feelings), ela resolve mandar o bom senso às favas e o segue. E quem nunca seguiu um bichinho fofo só porque gostou dele? Eu já fiz isso umas quantas vezes.

O “bichento” (Hermione Granger mandou lembranças) em questão entra em um amontoado de arbustos e vai parar em um jardim aonde ela vem a encontrar um homem alto, magro e amigável. Dou um chocolate Cacau Show para quem adivinhar com quem ela está falando. Considerando que estamos falando de uma história de Doctor Who, é claro que tem que ser ele, não é? *risos*

Como não podia deixar de ser, quando o Doutor tá na parada a coisa vai resultar em enrascada. (Rima terrível, mas dane-se.) E a fanfarrona vem na forma de uma pintura conseguida pela Kate. Tá, como foi exatamente que isso ocorreu? Começamos no dia anterior, enquanto a mocinha dá seu passeio e conhece um menino chamado Armand Bass, cujo pai está sendo falsamente acusado de adulterar remédios, ainda que não tenha havido um inquérito, o que causou a morte de duas pessoas, senhoras residentes na cidade há décadas. E a menina, no dia seguinte, resolve descobrir por conta própria, após a mãe para variar ser uma completa inútil, o que há por trás disso. E após uma empreitada não muito bem sucedida na farmácia local, ela ganha um balde e uma pá e vai até o antiquário para tentar se livrar de ambos. Nisso, ela acaba adquirindo um quadro cujo estado definitivamente está longe de ser dos melhores.

E a partir daí, meus amigos, Kate se mete na maior encrenca de toda a sua vida, acabando por se envolver ainda mais com o cara alto, magro e amigável, a quem ela chama de Barnabas. E no meio disso, ela já está começando uma amizade com Armand, que mostra alguma relutância, já que ele não tem amigos e não parece ser muito hábil nesse ponto. E o autor descreve isso de tal forma que você se sente como se pudesse ver isso bem de perto.

A história é contada de tal forma que se torna impossível resenhá-la sem dar uma banda de spoilers. Especialmente quando nós descobrimos o que realmente há por trás do quadro chamado “O Senhor do Inverno”. Eu confesso nunca ter imaginado que fosse ser aquilo que ia acontecer. O que algumas pessoas não fazem pelos motivos mais fúteis possíveis? Sério, a explanação sobre isso poderia servir de definição para muita gente cujo corpo é adulto, mas a maturidade é de uma criança birrenta de cinco anos. Juro.

E depois de escrever tudo isso, posso dizer que recomendo seriamente essa história também, mas não apenas ela. Tal recomendação dirige-se a todo o livro, que é dos bons e pode ser lido em algumas horas ou dias, dependendo de quanto tempo você tem para leitura diária. Às vezes a pessoa não lê porque não está muito afim. Eu de vez em quando tenho isso, mas sério, esse livro vale até mesmo naquele dia em que você não tá muito bem humorado para a leitura.

Até a próxima. Tenho que correr. Há doze doutores e doze histórias me esperando.

A teimosia literária de Doctor Who – Resenha dois: Quando cair o verão e outras histórias – O beijo do anjo (Angel’s Kiss)

Allons-y para mais uma semana de Doctor Who no blog As teimosias de uma dama. Antes, porém, duas considerações:

  • A segunda resenha do livro do título deveria ter saído logo após a primeira, no máximo domingo, mas, devido aos meus constantes escritos de contos e um problema enfrentado no fim de semana, cheguei muito cansada em casa e precisei dormir;
  • Comprei o mais novo lançamento literário de Doctor Who, Mortalha da Lamentação e vou lê-lo para acrescentá-lo às resenhas deste blog;
  • Peço desculpas a vocês pela demora em postar. Obrigada pela compreensão.

A resenha de hoje fala sobre a segunda história de Quando cair o verão e outras histórias, Angel’s Kiss, aqui traduzida como O beijo do anjo, cuja protagonista é River Song. Uma personagem que desperta incontáveis controvérsias entre os fãs de Doctor Who. Uns dizendo que ela é a melhor, a mais foda e por aí vai. Outros, que ela é mal construída e hipersexualizada, dado o envolvimento dela com o Doutor e o fato dela não esconder o que sente por ele. Em minha opinião muito sincera que possivelmente não vale muito para alguns outros, River é uma personagem um tanto trágica, dado o modo como ela aconteceu na série. E particularmente eu gosto muito dela em razão desse e de outros detalhes.

Vamos a esse ponto antes de ir para a história do “livro” propriamente dita. Primeiramente, a linha do tempo de River Song é contrária a do Doutor, leia-se, ela vive a história dela com ele de trás para frente e ele igualmente. Pois a primeira aparição da personagem vem a ser ainda na época do Décimo Doutor, interpretado por David Tennant, no episódio Silence on the library (Silêncio na Biblioteca), o 9º da 4ª temporada. E como todos os que já viram sabem, ela morre no episódio seguinte, Forest of the dead (Floresta dos Mortos), quando se sacrifica para salvá-lo.

Tecnicamente, essa seria a última interação dela com ele, mas ela vem a aparecer de novo nos episódios cinco e seis da temporada seguinte, quando o Doutor já era interpretado por Matt Smith. No caso ela já andava as voltas com o Doutor enquanto ele lembra de que, para todos os efeitos, ela morreu. Só que agora é ela que não o conhece tão bem assim. E as coisas vão e vem desse jeito até o episódio A Good Man Goes to War, o sétimo da sexta temporada. É nesse onde a história da River Song de fato começa, com ela sendo a filha roubada da Amy e do Rory que deveria se chamar Melody Pond. (Quem manjar bem de inglês vai entender o motivo do nome “River Song”. E não vou dar mais detalhes porque senão esse parágrafo vai ficar mais comprido que a escada do Chapolin Colorado.)

O único problema de detalhar toda a linha do tempo dela é porque eu não me lembro de todos os detalhes como eu gostaria, então, vou postar uma imagem para tentar resumir a situação de modo compreensível: (Esperando obter sucesso, é claro. E eu sei que os nomes de dois episódios aparecem duas vezes, mas a linha do tempo dela é complicada mesmo já que o final da quinta temporada é uma complicação só porque o Doutor basicamente dá um megareset no universo.)

Agora, Angel’s Kiss: Estamos em Nova York, ano de 1938. Melody Malone é uma detetive particular, dona e única funcionária da Agência de Detetives Anjo. A coisa já começa tensa porque um dos vilões mais tensos de Doctor Who são os Weeping Angels, chamados na tradução de “os anjos que choram” ou “anjos lamentadores”. Sua função: alimentar-se do tempo de vida que as pessoas teriam, enviando-as para o passado com um mero toque. Portanto, nunca pisque ao passar por uma estátua. Você pode estar morto em apenas um minuto após viver toda uma vida décadas antes mesmo nem tendo ideia de como isso aconteceu. Sim, isso aconteceu com Amy e Rory no episódio The Angels Take Manhattan, o que marcou a saída deles da série e inspirou essa história…

Que não apenas é muito boa e bem escrita, como também tem um appeal a mais por ser narrada pela protagonista, que acha que estava demorando para aparecer um problema. (Sim, ela sempre espera que o pior possa acontecer. E tem-se a impressão de que muitas vezes ela atrai o problema.) O dito vem na forma de um “cliente bonitão” chamado Rick Railton, que é, de modo básico, o Clark Gable antes do mesmo surgir em E o vento levou…. O rapaz tem a certeza de estar perto de ser assassinado e quer a detetive descobrindo quem está fazendo isso e por que. Logo de cara algo parece incrivelmente errado: a pessoa diz para Melody que sente que acabou de começar quando o ator em questão já tem dois anos de carreira, o que na época era considerado um feito e tanto. Os leitores ficam tentando entender a situação, possivelmente bolando algumas mil teorias baseadas no título da história. Eu pelo menos fiz isso e me diverti muito com.

Muito obviamente, pelo menos para mim, eu não estava pronta para descobrir a solução da trama. Isso após diálogos muito bem construídos, repletos de um sarcasmo e ironia muito típicos de River e obviamente, sua narração muito única, que faz os leitores rirem como ninguém. Especialmente no capítulo da festa, onde é possível visualizar a situação ocorrendo como certamente já aconteceu naquele tempo: um bando de gente grãfina tomando champanhe e conversando de todo o tipo de baboseira.

E quando você acha que tem monstros o suficiente na série, vem um humano para provar que consegue ser pior que todos eles se assim o desejar. É de dar muita raiva o modo como o vilão em questão planeja e executa o que vem fazendo há só Deus sabe quanto tempo. Para piorar, ele ainda tem como “aliado” um Weeping Angel, o grande responsável pela maior parte da encrenca. O humano malvado em questão apenas quer lucrar mais e mais com o cinema e seus astros mesmo que isso tenha de envolver matar muita gente inocente.

A descoberta e final da história dura pelo menos metade das páginas, mas é algo tão bem feito que até podemos ignorar o fato de que isso ocorre mais cedo do que se esperaria. No entanto, como é baseado na série DW, é algo perfeitamente plausível, já que todos os episódios da New Series são desse modo: a primeira metade são os fatos misteriosos e a segunda é descobrir e combater, com resultados variados. Isso quando um episódio não é a segunda parte do outro. Exemplo: Silence on the library e Forest of the dead. E se refletirmos com cuidado, River é basicamente o Doutor, só que sem a TARDIS e tendo um batom de efeitos devastadores mais um armamento natural capaz de abater um boi a três metros de distância. Tá bom desse jeito ou quer mais?

Altamente recomendo O beijo do anjo para quem gosta de histórias detetivescas com um toque que só mesmo a inspiração em Doctor Who poderia fazer.

Até a próxima. Tenho que correr. Porque sou Lady Trotsky, com gelo no coração e um beijo nos lábios. E na cidade portenha que nunca dorme e nunca deveria piscar, vampiros e mordidas são o meu negócio.