“Pérola – O ano do dragão” ou A teimosa Lágrima da Ostra e seu persistente bracelete dourado

Start your engine! Em velocidade máxima com Georgette Silen e Rosana Rios para conhecermos a trama de Pérola – O ano do Dragão. Espera, Dama Teimosa, como assim “e Rosana Rios”? Oras, a resposta é clara: a resenha da vez é de um livro de duas escritoras: o alvo da semana do meu blog mais a escritora juvenil Rosana Rios, que já apareceu por aqui com o conto Prata, da antologia Amor Lobo.

A história tem como protagonistas Pérola e Hien, vivendo em épocas e locais totalmente distintos. Ela, no ano do Dragão em São Paulo. Ele, na China do século catorze, na dinastia Yuan, a antecessora da célebre Ming. Certo, mas, como raios eles estão ligados? Por uma linda joia que causa problemas a ambos. Uma, esquecendo que a curiosidade matou o gato. O outro, se apoderando do que não deve apenas porque vive de roubar. Como, porém, a joia causa tantos problemas? Ambos descobrem, de um jeito muito ruim, que se usado, o bracelete concede poderes ao usuário. Gente, vocês conseguem ver onde isso vai dar? Em uma bela encrenca. Muito bem escrita, diga-se.

Conhecem a Witchblade (http://pt.wikipedia.org/wiki/Witchblade)? Pois bem, o efeito é basicamente o mesmo embora o bracelete faça pior, já que seu usuário pode transformar-se em um monstro caso não consiga controlar os poderes dos quatro elementos contidos na joia: fogo, água, terra e ar.

É a partir de Pérola xeretar mais do que deve que a história se desenvolve. Ela não apenas tem de lidar com os problemas típicos de adolescente, como escola, colegas chatos que vivem incomodando, trabalhos, provas e o fato de não ter pai, como também com um “Gasparzinho” que vive dentro do bracelete de dragão. E que é um rapaz muito lindo. Ou seja, a pobre Lila, apelido pelo qual ela prefere ser chamada, não poderia lidar com mais que isso, ou poderia? Sim, ela vai. Trabalhar na loja da senhora Mei para “pagar” o bracelete que ela pegou sem pedir. Enfrentar um deus chinês maligno que deseja o poder do bracelete da Pérola a qualquer custo, mesmo que para isso ele precise destruir tudo que houver no caminho. Se sentir seriamente atraída por Hu Qiu, vulgo Lucas, o filho da senhora da loja. Lidar com o fato de que a mãe tem magia no sangue. Too easy, não é? Só que não mesmo.

É com todas essas premissas que se desenvolve a trama do livro, de uma forma tão única e maravilhosa que é impossível não pensar em dar aquela largadinha só para não acabar rápido demais. Pérola é aquela protagonista que nós poderíamos encontrar em qualquer lugar e de quem até poderíamos ser amiga de tão palpável e real que ela é. A evolução dela como pessoa é fantástica, especialmente quando ela descobre que existe outras maneiras de encarar os problemas presentes.

Hien é inicialmente a criatura mais desagradável do mundo e dá todos os tipos de pitaco possíveis em qualquer assunto onde ela se envolva, incluindo incentivá-la a agir maldosamente e falhar em controlar os poderes ganhos. Porque no meio disso há quatro testes impostos por Long Mu, a mãe dos Dragões (Game of Thrones mandou lembranças), que é a dona do poder que Hien roubou lá no começo da história. Meu Deus, que encrenca! Contudo, que maravilhosa encrenca para uma boa apreciadora de maravilhosas histórias como eu.

Com o decorrer da história, porém, é impossível não pensar em como teria sido se Hien tivesse seguido um caminho diferente, reflexão que ele faz enquanto se relaciona indiretamente com Lila. O desenvolvimento da relação deles é um dos pontos altos do livro, começando em uma hostilidade das grandes para terminar no embrião de um muito possível romance. Acho que a frase A Lágrima da Ostra desperta o Dragão faz muito sentido também nesse aspecto. Pois ele acaba apaixonado por ela e se torna capaz de tudo para salvá-la de um destino pior que o dele, pois ele percebe: Pérola tem chance de fazer a coisa certa. Que ele só teve tarde demais, tanto que sequer pôde continuar desfrutando de uma vida feliz quando ele finalmente encontra, ou pelo menos ele assim pensou, a paz. A cena dessa parte é de partir o coração. Geo e Rosana, vocês me fizeram soltar lágrimas. Não sabem que é feio fazer uma dama chorar?

Outro ponto alto foi a maneira como o vilão foi neutralizado. Simplesmente o melhor “velho truque” que eu já testemunhei em muito tempo lendo todo o tipo de história. Mais um ponto altíssimo são as fidedigníssimas descrições da China antiga e a fidelidade com o elemento histórico e mitológico. Simplesmente um deleite para os olhos da imaginação. Só lendo para saber a maravilha que é porque se eu tentar descrever, sinceramente não logro. Inclusive estou com aquela vontade de conhecer o país após ler o livro.

E o final do Epílogo? Alguém que ninguém esperava deu as caras embora tenha feito rapidíssima participação em uma parte anterior. E pelo jeito vai rolar algo sério em razão disso. A frase final, só para deixar os leitores ainda mais malucos, deixa uma monumental brecha, onde cabe um planeta Júpiter, para uma continuação, que eu realmente quero que aconteça.

Pérola – O ano do Dragão é altamente recomendado para quem gosta de mitologia chinesa ou quer conhecê-la a fundo e uma excelente, bem contada e desenvolvida trama.

Até a próxima. Tenho que correr. Tenho que continuar desvendando a Panaceia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s