As teimosas Fábulas ao Anoitecer

Start your engine! E vamos pegar mais uma carona em alta velocidade com Georgette Silen, agora com Fábulas ao Anoitecer, mais uma excelente antologia de contos, formada por um total de onze.

Não perdendo o costume de ser maravilhosa escritora, Geo nos presenteia com histórias repletas de uma originalidade única e algumas reconstruções de histórias conhecidas de outros “pagos”, feitas de tal maneira que não tem como não apreciar. Procurarei não dar spoilers, portanto farei análises curtas, porém precisas.

1ª – Até que os anjos nos separem: O que deveria ser um romance adolescente vira, nas mãos da autora, uma surpreendente história sobrenatural onde as aparências enganam com tudo. E reserva um adorável final para o dilema da protagonista de com quem ela vai dançar no seu baile de formatura. Nota: Dez.

2ª – Olhos do dia e da noite: Quem nunca jogou, nem que fosse pelo pc, uma partida de RPG? A sensação que eu tive ao ler esse conto foi essa: a de estar em uma aventura onde cada passo poderia ser o último do jogador. Um protagonista aparentemente detestável, mas que descobrimos ser dos mais bondosos quando ocorre algo inesperado com ele e sua assistente fada Sabina. Nota: Dez.

3º – O anel e a pérola solitária: Uma garota que desde criança ouve vozes e descobre, após viver um momento muito ruim, algo que ela jamais esperava ser. Uma linda história de descobertas e amor nas suas formas mais bonitas e maravilhosas (Por esas cosas bonitas, bonitas y maravillosas, yo me enamoré, yo me enamoré, de ti.). Nota: Dez.

4º – Jack: A primeira releitura feita por Geo nessa antologia, sendo seu alvo a famosa lenda de “Jack – O’- Lantern”, que, para conhecimento dos desinformados, é um dos símbolos do Halloween. (Essa gracinha aqui, ó: ) A origem que Silen cria para a lenda é original e ao mesmo tempo esperada, além de muito comovente, já que o protagonista deseja apenas continuar vivendo o grande amor interrompido pela Dona Morte. Como em um dos contos da antologia As três princesas negras e outros contos dos irmãos Grimm (Resenha: https://asteimosiasdeumadama.wordpress.com/2015/03/06/o-grande-e-teimoso-poder-do-numero-tres/), As três folhas da serpente: Afinal, de que adianta viver quando se perde o verdadeiro amor? A comida não teria sabor, a bebida não mataria a sede, o sol não aqueceria a pele e a música não aliviaria a alma. E esta foi a bonita perdição do protagonista. Nota: Dez.

5º – A princesa de Mangaleão: Um lindo conto de fadas sobre o poder do amor fraternal e de como a lei do retorno é generosa com quem deseja o bem acima de qualquer coisa. O errado é errado mesmo que todos façam e o certo é sempre certo mesmo que ninguém faça. Em minha opinião sincera e humilde, muita gente deveria ler esse conto e com ele aprender a ter mais bondade no coração. Eu incluo todos os preconceituosos e elitistas nesse caso. Nota: Dez.

6º – A senhora do lago: A segunda releitura feita por Geo, agora envolvendo a lenda do rei Arthur e da célebre Excalibur, só que com um toque muito original: um mundo mecanizado na era arturiana. E o conto traz toda a reprodução da lenda de uma forma mágica e envolvente a despeito daquela pontinha de tristeza lá no final. Nota: Dez.

7º – Uma quase tragédia grega: Terceira releitura feita por Silen, agora envolvendo a lenda de Perseu e a Górgona, só que continuando a história alguns mil anos depois em uma escola particular de uma cidade não nomeada. É simplesmente genial esse conto. Não consigo achar palavras para definir o quanto gostei. De uma coisa, porém, eu sei: quero continuação. Nota: Dez.

8º – O Holandês Voador: Quarta releitura, agora da assombração denominada “O Holandês Voador”. Simplesmente lindo e adorável à sua maneira deliciosamente vingativa. Embora você saiba que o alvo da vingança estava fazendo seu trabalho, nós temos o hábito de odiar oficiais do rei. E nós amamos isso mais do que o aceitável. Afinal, na ficção podemos tudo. Nota: Dez.

9º – A menina dos fósforos: Quinta releitura, agora de Andersen e seu célebre conto, A pequena vendedora de fósforos. Algo sério espera a protagonista em alguma esquina perdida de algum lugar desconhecido em uma noite nevada da véspera de Ano Novo. Agora somem isso com terror japonês estilo Ringu (aqui no Brasil intitulado O chamado). Igual a: um conto muito bom e causador de muito medo quando uma frase fica ecoando por horas no ouvido mesmo depois de você concluir a leitura. Nota: Dez.

10º – Alquimia perfeita: Última releitura, mas agora de uma lenda “real”, de ninguém menos que Nicholas Flamel, a quem atribuem a provável criação da Pedra Filosofal (J. K. Rowling e Harry Potter mandaram lembranças). Novamente um toque da mais pura originalidade em relação à esposa do alquimista, Perenelle, aqui convertida em uma viajante do tempo (Georgette whovian sorriu) com a missão de encontrar o Catalisador. Isso é…? Spoilers. (Agora a whovian fui eu.) Nota: Dez.

11º – A folha em branco: Apenas uma coisa a dizer desse excelente conto: tem como alguém quebrar a quarta parede ou fazer metalinguagem mais do que a Geo nesse caso? Ok, não é um caso tal como conhecemos, mas sério, foi incrível. E a gente fica se perguntando: aqueles seres todos não seriam na verdade uma referência ao Diabo? Como? Isso também é spoiler. Nota: Dez.

Conclusão: Fábulas ao Anoitecer é literatura de primeira qualidade e merece ser bem degustado, assim como um bom vinho ou uma xícara de café com leite bem docinha.

Até a próxima. Tenho que correr. Preciso encontrar e harmonizar meu pagode.

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