“Amor vampiro” ou Teimosos amores vampiros

Start your engine! E vamos conhecer os vários funcionamentos de um amor vampiro.

Amor Vampiro é uma antologia de sete autores e dez contos, sendo três e dois deles escritos por um único autor.

Li em um final do ano, quando não tinha nada melhor para fazer. Um presente de Natal autodado no dia 23 de dezembro de 2013 que não me arrependi de ter lido nem por um minuto. Valeu a pena ter passado o dia inteiro colada nele porque foi uma experiência e tanto. E claro, conheci autores que até então eu não havia ouvido falar.

Começarei a resenha pelos contos de Adriano Siqueira, que conheci e conheço como Lord Dri desde ser uma garotinha nos grupos do Yahoo do tempo em que eu dependia de computadores públicos para ter acesso à internet…

O outro lado do espelho é uma daquelas histórias curtas que te pega de jeito sem precisar de muitas páginas. Você acha que a coisa vai acabar de um jeito e quando menos se espera, acontece algo totalmente fora da caixa. Aí você pensa: tiro rápido, mas bem dado. E me acertou em cheio de tão bom que esse conto foi.

O dia dos vampiros (que é um feriado real, criado pela diva Liz Vamp), é de longe o mais negramente cômico dos contos. Começamos com um marido esperando a esposa com quem ele se casou por interesse e quem ele vive traindo. De repente, passamos para um “barato doido de viagem no tempo” (wibbly wobbly timey wimey. Lady para com as referências a Doctor Who, *risos eternos*.), de onde surge certo ser de nome Lord Dany Rey I. Que logo de cara conquista nossa “sofredora esposa”, que alguns minutos depois se revela uma bruxa, ainda que amadora. Além de me fazer rir não só com o modo como as coisas acontecem no conto, uma autorreferência me fez ficar vermelha de tanto dar risada (é só observar com cuidado). Eu juro que deu para imaginar o autor sendo o vampiro. Uma estatura mediana misturada a um sorriso amistoso. Eu consegui me imaginar amiga desse cara. (E eu sou, *risos*.)

“A grande chance” é outro “wibbly wobbly timey wimey” em que no final você não entende exatamente o que houve e cria um milhão de possibilidades, sendo justamente essa a graça do conto. E o que faz com que a narrativa seja interessante.

Segue o baile e vamos para André Vianco, autor de Os sete, Sétimo, Bento, O vampiro-rei 1 e 2, O turno da noite, O caso Laura e por aí vai de tanta coisa boa. (Lembrete: tenho que reler Os sete desde o começo, pois faz anos que não toco nesse livro. E eu comprei por quinze dilmas em um sebo.)

A canção de Maria me fez enxergar certa canção de ninar de uma forma bem diferente depois de lê-lo. Tanto é que eu não tirei a danada da minha cabeça por uns quatro dias. É uma excelente narrativa cuja tensão cresce a cada página, fazendo a garganta ficar com um grito preso até o final, quando o que deveria ser uma exclamação de pânico vira de alívio. Foi desse modo que me senti após o fim: respirei tão fundo que quase perdi o ar.

Vamos agora para a distante e fascinante Itália renascentista através dos olhos de Martha Argel, minha bióloga favorita desde sempre, e sua narrativa A flor do mal. Tudo começa em uma noite qualquer, quando Francesca Fornasari, devo dizer velha conhecida minha de outro livro da Martha (cuja semana começa amanhã no blog), está voltando para casa após uma caçada noturna. Atacada de surpresa por um jovem mortal chamado Giuliano Sacchetti, o primeiro encontro entre eles não exatamente termina bem, culminando em algo inesperado.

A partir daí, as coisas tomam um rumo que particularmente eu não esperava. Seriamente pensei e ainda estou pensando: ela é uma vilã de fato ou apenas uma vítima das circunstâncias? Não é uma pergunta para qual achei resposta, diga-se, mas o apelido “Flor do Mal” é justificado com perfeição. Giuliano Sacchetti é um curioso e levemente complicado caso de evolução de personagem e realmente quero saber mais dele além do que foi contado nesse conto. Ou será que Argel resolveu deixar o resto da história para nossa mente? Quem sabe?

Modesto, em seu turno, nos oferece Amante Notívago, uma narrativa no melhor estilo “Hammer Films” em que temos um confronto sério entre o Conde e o Vampiro além de toques eróticos que aparentemente só servem para mostrar o quão sedutora é a criatura sem nome, mas que na verdade levam muito mais longe que isso. Só mesmo no final é que vamos saber o quão distante vai. Devo dizer, não esperava as coisas desse modo. Imagina um universo expandido? (Senhor Modesto, favor anotar essa ideia.) Aposto que ficaria interessante. Talvez um dia…

E o segundo round dele nos presenteia com O anjo e a vampira, uma história de amor diferente e ao mesmo tempo, dotada de um romantismo tão lindo que torci pelo casal apaixonadamente. O recurso de “contação de histórias” é muito bem usado para mostrar o quão bonito é o amor que aceita todas as aparências, formas e cores sem pensar. E o quanto longe se pode ir por ele. E por causa dele, tomei um nocaute de tristeza. Modesto WINS!

E Nelson Magrini chega “quebrando a banca” com Isabella, um excelente exemplar de como, em apenas algumas páginas, é possível fazer uma personagem sair do lugar comum. E principalmente, tornar vampiros cientificamente explicáveis. E claro, mostrando ser possível amar sem barreiras. Definitivamente esse conto deveria ser utilizado em aulas de Física. Verdade que o Nelson não se aprofunda em conceitos físicos, mas seria uma introdução muito interessante e temos um exemplo perfeito para ensinar os menos interessados na matéria citada.

Regina Drummond nos serve, em bandeja de ouro, A velha, o jovem e o casarão, uma curiosa narrativa “cíclica” sobre um velho e aparentemente abandonado local, o cenário para a história que se desenrola logo em seguida da “introdução”. O jovem do título, que é sem nome propositadamente, tem um “arranca-rabo” sério com o pai, casado com uma vagabunda ao que tudo indica (não é explicitado), e resolve ganhar o mundo e trilhar seu próprio caminho, no que ele se depara com a casa. Ele aceita a hospedagem, a comida e o pouso. E lá no final, não sabemos o que de fato aconteceu, só sabemos que a história volta, à sua maneira, ao ponto onde começou, criando certa confusão nos leitores, que desejam saber o que realmente se passou. E esse é justamente o atrativo desse conto.

O conto que fecha o livro é da autoria de ninguém menos que Giulia Moon, outra amiga minha, que nos traz sua vampira oriental Kaori em Dragões Tatuados, antes que viéssemos a conhecê-la melhor em Kaori – Perfume de Vampira. O que dizer desse conto danado? Uma narrativa onde Samuel Jouza, velho conhecido meu da saga Kaori (e que eu vivo imaginando sendo a cara do Anthony Ainley porque acho que combina perfeitamente) está fazendo seu trabalho de vampwatcher e pouco depois do começo do conto, descobre ter sido vítima de certa vampirinha muito fogosa. A partir daí, do jeito que só a titia Giu sabe descrever, nós temos uma sucessão de eventos que nos dá uma bela ideia do risco que Jouza corre dando uma de “espião sobrenatural”. Como não podia deixar de ser, há cenas quentes envolvendo a vampira e o olheiro, só que, por motivos desconhecidos, Kaori toma uma decisão que eu francamente não esperava. Confesso que fiquei imaginando mil motivos para tal situação, mas, no fim, achei esse conto um excelente modo de introduzir Kaori para quem não a conhece, ainda.

O livro, no geral, nos oferece um belíssimo e saboroso banquete de contos. Recomendo seriamente.

Até a próxima. Tenho que correr. Por que a Patrulha do Tango vai apresentar-se e os ingressos estão quase esgotados.

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