“Kaori – Perfume de Vampira” ou A teimosa dama perfumada chegou para ficar

Uma vez, há um bom tempo, após alguns dias, tirando um desconto de sábado, domingo e segunda por motivos de força maior, li Kaori – Perfume de Vampira, da minha amiga escritora Giulia Moon. Juro que vou tentar ao máximo não dar spoilers, mas a sucessão de fatos é tão espantosa que vai ser difícil.

Minhas impressões: Um livro extraordinário, forte, violento, que faz a gente se perguntar até onde vai a crueldade e frieza dos seres, sejam eles humanos ou “bakemonos”. E mesmo sabendo que talvez a Kaori não mereça tanto assim, em razão de algumas atitudes meio complicadas, torcemos por ela.

O livro é totalmente bilateral: em um lado, viajamos em alguns períodos da Era Tokugawa, mais precisamente de 1647 até 1856, conhecendo as origens e vivências iniciais da vampira Kaori. Por outro, no ano de 2008, vemos a personagem, agora uma vampira de mais trezentos anos aparentando ter apenas dezessete (ou menos porque a própria Giulia nunca definiu a idade “real” da Kaori), vivendo em São Paulo, sendo uma “vampira de programa” para poder sobreviver.

A trama, na verdade duas delas, se desdobra de maneira bastante fluída, sendo que a primeira, dividida em três arcos, sendo o 1º os primeiros anos da Kaori como vampira, o 2º o retorno dela ao lado daquela que vem a ser a vilã da história, Missora e o 3º, que é quando ela se apaixona pelo artista brasileiro José Calixto, que é o responsável por uma marca bem peculiar que Kaori atualmente possui. E nessa mesma trama, ela transforma um personagem e ele vem a ser o “melhor amigo” dela.

E como (quase) todo o romance, esse tem muitos altos e baixos até que as coisas de fato deem certo. Se bem que no caso da trama passada da Kaori, as coisas terminam de um modo inesperado e só vamos descobrir isso no epílogo. Deus, até hoje eu não entendo como isso pôde acontecer.

Já a segunda trama trata, pelo menos inicialmente, de um homem chamado Samuel Jouza (Por favor, não é “Souza”), que tem uma profissão tão excitante quanto perigosa: vampwatcher, ou seja, alguém que observa e cataloga vampiros. E nesses caminhos de “olheiro”, topa com Kaori pelo menos algumas vezes, até mesmo sendo salvo por ela de ser leiloado como possível presa de vampiro. O livro tem cada cena de tirar o fôlego e algumas deixam a gente a ponto de explodir de tanta raiva dos vilões, especialmente da Missora e do Felipe, ambos uns desgraçados filhos de uma diaba. (Pelo menos é o que se pensa do segundo antes do segundo livro fazer uma senhora mudança de opinião em quem lê.)

Samuel Jouza, todavia, é uma desculpa, por sinal muito eficiente, para a trama que realmente sacode o livro, pelo menos no presente: os olheiros do IBEFF (Instituto Brasileiro de Estudos de Fenômenos Fantásticos) estão sendo mortos pelos famélicos (um tipo de cachorro gigante que pode tomar forma de humano e falar como tal apesar de não ser tão inteligente quanto um humano, criação da autora), sendo que geralmente eles costumam ser os responsáveis por “limpar” os cadáveres deixados pelos vampiros. (Solução bem bolada, devo comentar.)

A resolução da trama não poderia ser mais frustrante para Kaori, que descobre do pior jeito não ter conseguido, ainda, a vingança que ela tanto deseja, pois foi culpa da Missora (corva FDP desgraçada) que a nossa linda protagonista passou por uns perrengues tensos, incluindo os fatos citados no epílogo. Embora a nossa amiga vampira tenha dado uma surra e tanto na maldita, as coisas não saíram como o esperado e a frustração da japonesinha é de cortar o coração.

Quando finalmente chegamos ao final da história e ficamos sabendo mais do instituto, a nossa cara vai ao chão, tamanha a surpresa causada porque nunca íamos imaginar que o Sidnei reportasse justamente para quem menos poderíamos esperar que iria reaparecer! Pergunto: será que Missora mentiu pra Kaori sobre como se tornou vampira? Quando li o último capítulo antes do epílogo, essa parte meio que deixou de fazer sentido considerando como a coisa aconteceu nele. No entanto, é preciso ter paciência para obter respostas. Giulia Moon não as dá com tanta facilidade.

Kaori – Perfume de vampira é um maravilhoso livro e eu recomendo para quem quer uma aventura frenética e bem executada, além de uma deliciosa viagem ao Japão da Era Feudal e Imperial.

Até a próxima. Tenho que correr. José Betinotti me espera para mais uma rodada de histórias regadas a sangue e chocolate.

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