“Flores Mortais” ou As teimosas e adoráveis filhas da lua

Olá mais uma vez, adoráveis e teimosos viajantes. Hoje, após uma gama de ótimos momentos com meus amigos portenhos de presas afiadas e sedentos por sangue, estou de volta com mais uma resenha. O escolhido desta bela noite é Flores Mortais, da autora paulistana Giulia Moon. Por onde começo a descrever o quão maravilhoso é esse livro?

Primeiro: o título por si mesmo nos dá uma ideia do que esperar. Todas as protagonistas são mulheres. Cada uma, do seu jeito, traz uma característica do universo feminino. Elas, porém, tem uma pequena peculiaridade: são vampiras. Sim, amigos, são todas belas e letais sugadoras de sangue.

Segundo: as protagonistas te conquistam logo de primeira. Sem enrolações ou firulas, elas te envolvem sem precisar de muitos parágrafos.

Terceiro: Agnes e Maya. Só mesmo descrevendo os contos delas para se ter uma noção de que excelente escritora é a Giulia Moon. Vou deixá-los por último em razão de que não apenas as duas primeiras tem os maiores contos, mas porque foram os que eu mais gostei dos que ainda não tinha lido.

Adendo: um dos contos já apareceu em outro livro que resenhei anteriormente, Amor Vampiro.

Vamos aos contos:

Dragões Tatuados: Antes que viéssemos a conhecer melhor a vampira japonesa mais top do Brasil em Kaori – Perfume de Vampira, a eterna adolescente apareceu primeiramente, pelo menos de forma oficial e desenvolvida, neste conto. O que dizer desse danado? Uma muito maravilhosa narrativa onde Samuel Jouza, (que vivo imaginando sendo a cara do Anthony Ainley porque acho que combina perfeitamente), sim, é com J, velho conhecido meu da excelente saga Kaori está fazendo seu trabalho de vampwatcher. Pouco depois do começo do conto, descobre ter sido vítima de certa vampirinha muito fogosa (E Cristo, ela é fogosa de literalmente matar!).

A partir daí, do jeito que só a titia Giu sabe descrever, nós temos uma sucessão de eventos que nos dá uma belíssima ideia do risco que ele corre dando uma de “espião sobrenatural” (sem apetrechos especiais porque aqui é Brasil, portanto os recursos são praticamente zero). Como não podia deixar de ser, há cenas quentes envolvendo a vampira e o olheiro, só que, por motivos desconhecidos, ela toma uma decisão que eu francamente não esperava. Confesso que fiquei imaginando mil motivos para tal situação, mas, no fim, achei esse conto um excelente modo de introduzi-la para quem não a conhece, ainda. (Sim, é o mesmo comentário que eu usei na resenha de Amor Vampiro com pequenas mudanças, mas esse conto é tão bom que se acrescentar mais, estraga.)

Rock’n Rose: Nesta excelente narrativa, temos uma vampira roqueira, com direito a mechas coloridas no cabelo, cruzes egípcias, roupas descoladas e piercings. Your name is Rose Mistral. Uma sugadora de sangue procurando seu alimento em um local mais que adequado: um bar de roqueiros jurássicos (leia-se do tempo das grandes bandas). Nesse meio, acaba dando de cara com uma menina vendendo chiclete na calçada e dá a ela uma nota alta a despeito de não ter comprado nada. Um fato que vem a ser importante lá no final do conto. Minutos vão, minutos vem, Rose seduz uma moça com intenção de dar uma mordidinha para se alimentar. Só que no meio da janta, a vampira escuta um triste lamento. E nós descobrimos que aconteceu algo sério com a menina para quem ela deu a generosa gorjeta. O que veio depois? Leiam e descubram porque é spoiler. *baixouemmimaRiverSong*

Danse macabre: Vou tentar comentar esse de modo mais resumido. Não porque eu não tenha gostado, mas porque se eu descrever vai ser uma chuva de spoilers com direito a raios a trovões. Para resumir essa excelente ópera: a senhorita Íris, a protagonista da vez, aprende de um jeito bem dolorosamente sério que nunca se deve subestimar o poder de uma pessoa apaixonada quando ela se enfurece. Portanto, crianças, não brinquem com fogo ou vocês podem se queimar. Conselho de amiga.

A santa dos meninos de rua: Essa outra ótima narrativa nos traz a história de um menino de apelido Pipoca. Sem nome porque dificilmente criança de rua tem nome. (Oh tristeza, viu?) Ele vende doces no semáforo na tentativa de ter dinheiro pelo menos para comer, uma realidade de muitas crianças brasileiras, infelizmente. E por conta disso, ele nunca pôde ter um Natal decente.

É um feriado minimamente bom que o espera caso ele aceite a proposta de um casal de “gringos” que passa por ele em um carro. Os instintos dele, porém, o alertam de que é melhor ele correr para longe dali e é isso que ele faz para depois se arrepender de ter perdido a oportunidade de boa comida e cama quente. Daí, sem que esperemos, acontece algo que deixa os leitores com uma cara de: isso foi mesmo sério? Sim, gente, foi mesmo sério. Nunca, jamais, achem que podem brincar com a santa dos meninos de rua. Vocês podem não viver para contar.

As vampiras de Kenshin: Aqui conhecemos Luzia, uma vampira que decididamente merecia um romance só dela. A história dela renderia uma saga tão maravilhosa quanto a da Kaori. (Titia Giu, anote isso, please.) A muito diva Lu (folgada eu) trabalha para um humano chamado Voight realizando trabalhos que definitivamente não são para mãos humanas. Na verdade são, mas é aquela história: vampiros não deixam digitais ou coisa parecida, assim, fica mais fácil de executar.

Em um desses trabalhinhos sujos, ela tem que resgatar um superstar roqueiro japonês chamado Kenshin (inspirado no Gackt, de quem a Giulia é muito fã). A festinha onde ela tem que fazer isso reserva os momentos mais negramente cômicos do conto e resulta em uma explosão de gargalhadas quando descobrimos a identidade da Lady FANGirl (é assim que se escreve). E em muitos sorrisos quando descobrimos que brincar com bonecas pode ser bem perigoso caso você se meta a besta com elas. Assim, cuidado com elas, podem conter explosivos altamente inflamáveis.

A dama-morcega: Junto com Maya, o melhor conto do livro. Giulia Moon já o tinha publicado em outro livro chamado A dama-morcega: narrativas de terror fantástico. Em apenas 27 páginas, a autora consegue desenvolver fantasticamente a protagonista, Agnes (palavra alemã que significa “pura” ou “sagrada”) e mostrar “a trágica incapacidade da medicina de policiar a si mesma” (retirado da sinopse de Médico ou Semideus, de Robin Cook). Se eu tentar descrever a trama desse conto, vou acabar escrevendo uma monografia cheia de spoilers. Quero que vocês comprem o livro e leiam. No fim, A dama-morcega é uma fantástica história de recomeço e despertar que nos faz refletir até onde as pessoas são capazes de ir por aquilo que desejam.

Maya: Uma história dividida em seis partes que eu li dez anos após conhecer a personagem nos grupos do Yahoo. Essa vampira é brasileira, mas vive no exterior desde muito tempo e tem um mordomo tão eficiente quanto humoradamente ácido: Stephen Jones, um latino vulcanicamente quente ainda que pareça tão frio quanto um iceberg. (Deus me perdoe por pecar desse jeito, mas, imaginem um cara muito gostoso de terninho e com cara sempre séria.) Embora as histórias não possuam uma ligação entre elas, a “série” Maya mostra com perfeição a relação dela com seu mordomo e outros vampiros tão poderosos quanto ela, para resultar em um final cheio de possibilidades futuras. E um gostinho de quero mais. Preferencialmente uma porção extragrande.

A exótica dama oriental e o inesperado Luar é o último conto do livro, mas, não irei resenhá-lo aqui porque ele virá junto com a novela que compõe a segunda parte do livro Eterno Castigo, do Kizzy Ysatis. Eles são o crossover que citei na resenha anterior e ganharão um espaço só deles por merecimento.

Para resumir, Flores Mortais é um livro altamente recomendado para quem aprecia uma contista talentosa que sabe fazer perfeito uso das palavras e nos envolver com suas protagonistas tão lindas quanto mortais.

Até a próxima, nesse mesmo blog, com a primeira parte da saga Kaori. Tenho que correr. Porque Agustín Magaldi tem mais uma história para me contar.

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